ANO: 25 | Nº: 6334
26/06/2017 Caderno 4º Simpósio de Soja 2017

BUSCANDO RENTABILIDADE: DA ESTÂNCIA PARA A EMPRESA

Foto: Divulgação

Antônio da Luz
Antônio da Luz

   Economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz se propôs a deixar os produtores surpresos e com um enorme desconforto, no bom sentido, é claro. “Vou mostrar como um economista enfrenta um processo produtivo, que é completamente diferente da visão de um agrônomo. O produtor do século 21 vai precisar das duas visões. Minha abordagem é bem técnica, muito pesada em termos teóricos, mas apresentada de forma simples e prática”. O palestrante acredita que seja uma palestra útil, pois entendendo os conceitos os produtores poderão sair já aplicando as novas posturas.Confira o resumo oferecido pelo palestrante.

   “Se olharmos as mudanças na agricultura entre a produção às margens do Rio Nilo, no antigo Egito, e o início do século 20, elas foram bastante sutis. Olhava-se para os sinais que a natureza supostamente indicava para os astros, se orava e buscava-se em oráculos para determinar safras. Aí veio a Revolução Verde introduzindo fertilizantes, máquinas, químicos e mudou completamente o modo de produção. Foi a transição de extrator para produtor”, resume Luz. 

   Dadas as imensas dificuldades de se produzir diante de tantas possibilidades e novidades muitos produtores resistiram às mudanças e o mercado tratou de aos poucos tirá-los do negócio. As pessoas não pensam nisso, mas aconteceu, ou alguém conhece lavoura sem o uso de insumos, máquinas e tecnologias? O grande desafio do século 20 foi migrar de uma agricultura medieval para a moderna agricultura e os produtores o fizeram.

   “Entretanto, o século 20 ficou para trás e no Brasil adotamos o mesmo padrão tecnológico dos países desenvolvidos, quando não maior. Viemos para a fronteira da tecnologia e, nesse estágio, trabalha-se não mais na escala, mas na margem. O grande desafio do século 21 será, com toda a certeza, produzir com todos esses pacotes tecnológicos com eficiência financeira, com gestão. O produtor brasileiro é um maximizador de produção, o que é normal, já que estamos vivendo ondas de impactos da Revolução Verde. Entretanto, ele precisará se transformar em um maximizador de lucros e não mais de produção, se quiser operar num mercado marginal. A transição da estância para empresa.

   Ser um maximizador de lucros exige uma gestão muito, mas muito diferente de um maximizador de produção. A maioria dos produtores que eu conheço não percebe, mas pensam estar trabalhando para maximizar lucros, mas não, eles correm atrás de cada vez mais produção por hectare. Às vezes, isso está correto, outras vezes não. Nem sempre aumentar a produção significa aumentar lucros, a menos que estejamos falando do lucro e das metas dos fornecedores. Entender isso será desafiador.”

   O que mais me preocupa na América Latina como um todo, diferente dos países anglo-saxões, é que compartilhamos uma crença que gestão é uma aptidão natural, algo que nasce ou não com o indivíduo, quando não hereditária. Ninguém precisa aperfeiçoar seus processos de gestão porque pensam já estarem excelentes. Pensam que seu “feeling” ou intuição são bússolas corretas para tocar seu negócio.” Esses são apenas alguns dos desafios propostos pelo economista.

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