ANO: 24 | Nº: 5986
26/06/2017 Cidade

Com nova roupagem, barbearias fazem a cabeça também das novas gerações

Foto: Tiago Rolim de Moura

Local é, há décadas, ponto de encontro da velha guarda
Local é, há décadas, ponto de encontro da velha guarda

Frequente no imaginário popular, como locais de encontro da velha guarda da ala masculina, as barbearias, que também atraem um grande número de jovens da nova geração, estão ganhando espaço em Bagé. Apesar da finalidade ser a mesma, em ambos os espaços, com foco dedicado aos cuidados com barba, cabelo e bigode, as abordagens são diferenciadas em cada uma delas.

Nos antigos salões de barbeiro da cidade, a lista de clientes ainda é composta, em sua maioria, por homens que já contam com meio século de vida, e que frequentam estes espaços desde pequenos, como herança dos pais e familiares antes deles. As cadeiras e os balcões não apenas aparentam ser “retrôs”, como realmente o são, muitos, inclusive, colocados ali desde o início das atividades, décadas atrás.

Instalado na Galeria Sete de Setembro desde 1967, o Salão Carioca é um dos mais tradicionais da cidade, completando, neste ano, 50 anos de atividade. Sempre tendo à frente o barbeiro José Antônio Rangel Saraiva, o famoso Zé Pavão, o espaço ainda conserva alguns itens desde sua fundação, como as cadeiras antigas de barbeiros, que dão o toque ao local, junto aos espelhos instalados em frente às quatro cadeiras da sala. “Ainda tenho quatro cadeiras, mas agora só eu trabalho aqui”, brinca ele, enquanto cortava o cabelo de mais um cliente de longa data e outros dois aguardavam ser chamados.

Para a barba, a tradicional toalha quente é um dos tratamentos utilizados para suavizar o barbear, técnica ainda hoje utilizada pela nova geração. Os cortes de cabelo, apesar de se apresentarem com nomes diferentes, também são conhecidos pela velha guarda. “Esses cortes mais modernos que a gurizada faz hoje, como lenhador, nós já fazíamos antes, mas com nomes diferentes, como meia cabeleira, corte cadete e corte militar. Só mudou a abordagem, porque a técnica ainda é a mesma, mas é um sucesso o que essa gurizada está fazendo”, destaca o barbeiro, que conta com 75 anos de vida e mais de 50 dedicados à profissão.

Outro veterano das barbearias, Valdeci Elias dos Santos, popular Sebinho, está instalado com seu Salão Odeon, na sala quatro da galeria Amélia Kalil, desde 1969. Ele reconhece que não está por dentro da tendência das novas barbearias, mas fica feliz ao saber que sua profissão encontrou continuidade entre os mais jovens. “É uma forma de resgatar essa profissão tão antiga e tradicional, porque os barbeiros estavam desaparecendo, enquanto os cabeleireiros aumentavam em número”, relembra.

 

Mudança de estilo

Adentrando os ambientes mais modernos e cheios de estilo, o choque da velha escola com a nova geração fica claro, mas apenas na ambientação. O clima de camaradagem e as conversas ainda são as mesmas. As novas barbearias adotaram a tendência de transformar a sala de espera em salas de estar dos próprios clientes, com direito a café e cerveja para descontrair durante a espera.

Um dos pioneiros dos novos modelos de barbearias em Bagé, o empresário Vinícius Acunha, 28 anos, proprietário da pubearia Lado B (mix de pub e barbearia), decidiu abrir seu próprio negócio para ‘fugir do que todo mundo já estava saturado’. “Queríamos e conseguimos montar um ambiente que não é só para corte de cabelo e barba, e, sim, um ambiente descontraído, com música alternativa e onde todos se sentem à vontade”, comenta.

O interesse pela profissão de barbeiro nasceu antes de iniciar a primeira formação, em fevereiro de 2015. “Desde então, não parei mais de me especializar”, afirma. Ele conta que a recepção ao novo modelo foi além das expectativas, atendendo um público bem diversificado, desde crianças a partir de oito anos até o cliente mais “experiente", com 77 anos.

Sobre a diferença da nova geração para as mais antigas, ele destaca: “Hoje, existem diversificações do que chamamos de barbearia. Existem as clássicas, as swag e as conceituais com cortes clássicos, que é onde nos encaixamos, com um ambiente moderno, mas praticando os clássicos da barbearia, como Executive Contour, Scumbag Boogie, Flattop, Razor Fade”, afirma.

Recentemente chegado à cidade, mas com mais de cinco anos de experiência, Marcelo Jung comenta que decidiu investir no ramo pela paixão à profissão e percebendo a necessidade de um espaço realmente diferenciado, onde pudesse oferecer serviços de qualidade combinado a um atendimento personalizado.

O profissional destaca que a diferença entre as novas barbearias para as mais antigas está na “preocupação com a qualidade nos serviços e no atendimento, ou seja, além de prestar o serviço, tem que estar empenhado para que o cliente saia muito satisfeito, sentindo-se realmente bem cuidado”, comenta. Para Jung, a busca constante por aperfeiçoamento é em atendimento a uma demanda de mercado, já que os homens tornaram-se cada vez mais exigentes nesse ramo.

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