ANO: 25 | Nº: 6312

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
28/06/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Não seremos cúmplices de Temer

Na próxima sexta-feira, 30, teremos a segunda greve geral deste ano no País. Convocada pelas centrais sindicais e outras organizações da sociedade civil, o movimento pretende manifestar oposição às propostas de reformas apresentadas pelo governo e uma inconformidade com o próprio governo, que assumiu o poder sem legitimidade para desenvolver qualquer programa, ainda mais um que se opõe frontalmente àquele que foi eleito pelas urnas nas últimas eleições diretas. 
Temer é um nada que, entretanto, serve aos interesses daqueles que, sem votos, querem reformar o Brasil a sua imagem e semelhança, acabando com a CLT e com a previdência pública, tornando-o um País ainda mais injusto e desigual. Falo dos rentistas, que vivem de juros e rendimentos de capitais especulativos. Falo das grandes corporações multinacionais, que querem usufruir de nossas riquezas sem preocupações com a função social de nossas reservas. Falo dos que querem privilegiar o capital em detrimento do trabalho nas relações de produção, diminuindo ao máximo os direitos de quem só tem o seu trabalho para vender, podendo, assim, ampliar a sua lucratividade para investir em fundos especulativos. 
É triste ver isso acontecer, sem qualquer reação da população, principalmente da chamada classe média, que, como sabemos, cresceu muito nos governos de Lula e Dilma. Cresceu por conta das políticas que tiraram da pobreza milhões de pessoas em todo o País. Foram essas pessoas que, mobilizadas contra a corrupção, deram apoio para que os políticos corruptos tirassem Dilma do governo e, depois, dividissem a pilhagem do Estado, coisa que já estavam acostumados a fazer, historicamente. 
Os políticos que estão, hoje, no poder, com Temer à frente, já deram mostras suficientes de que o que os mobilizava não era o combate à corrupção. Ao contrário. Vejam o golpista mor, o Temer. É, agora, denunciado por corrupção passiva e tentativa de impedimento da Justiça. Pela primeira vez no País, um presidente passa por esta vergonhosa situação. E onde estão os que não suportavam e admitiam a corrupção? 
Vejam Aécio Neves, o tucano que não se cansou de atacar Dilma e indignar-se contra as “pedaladas fiscais”. Agora, enfrenta denúncias, com provas contundentes, de recebimento de propinas de várias fontes. O que posava de bom moço é, na verdade, um dos políticos mais corruptos do País. Vê-se, a cada dia, portanto, que o que derrubou Dilma e o PT foram suas qualidades e não seus defeitos. 
Pois bem, frente a tudo isso, onde está a classe média? Onde está o povo? Não é hora de lavar as mãos. Se isso for feito, infelizmente, essas pessoas que saíram às ruas, manipuladas ou não, em 2013 e 2014, estarão sendo, agora, cúmplices da maior pilhagem de recursos públicos que o País já viu em toda a sua história. E, aí, será difícil explicar isso para as novas gerações. Vamos às ruas no dia 30 tirar Temer e sua quadrilha do poder. Greve Geral! Diretas Já!

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