ANO: 25 | Nº: 6381

Fernando Risch

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Escritor
30/06/2017 Fernando Risch (Opinião)

O mal do brasileiro é a falta de comprometimento

Investir – ou, como preferirem, empreender – em um país como Brasil é difícil. De altas taxas de juros para empréstimos, de crises políticas, crises econômicas e incertezas sobre o que nos aplacará no dia de amanhã, colocar um sonho em pé na nossa nação requer muito conhecimento, influência e sorte. Aqueles que se aventuram muitas vezes se esbarram num paredão de frustrações. Elas podem ser das mais diversas, geralmente relacionadas a qualquer um dos fatores citados acima, mas os que conseguem sobreviver ao turbilhão bélico que é administrar um negócio no Brasil, a pior das frustrações que se pode encontrar é o descomprometimento.

A falta de compromisso tem várias faces: de um funcionário público que não se importa com as necessidades de quem o procura e só pensa no rodear do relógio até suas obrigações cessarem num horário preciso, em que ele se levantará da cadeira e caminhará pra casa com a consciência limpa; de um colaborador mal engajado com o trabalho, que não compreende ou não quer compreender os anseios do empregador; de uma empresa prestadora de serviço que não presta o serviço ou o faz parcialmente; ou do fornecedor, que não vê prazo e não compreende certas necessidades a serem supridas.

No fim, descobrimos que nós mesmos, dentro deste ciclo inesgotável de descomprometimento, tornamo-nos descompromissados. Um ciclo perfeito, onde o atraso de um gera o atraso de outro, que gera o esquecimento de outro, a falta de pagamento de outro, até a cadeia inteira estar envenenada pela falta de compromisso, entregando no prazo que bem entender, da maneira que bem entender, gerando um ciclo imenso de reclamações, que geralmente são delegadas para o elo anterior do ciclo.

E dentro desta cadeia monstruosa de lentidão e delação há aqueles que morrem pelo cansaço; o cansaço de não conseguir dar um passo à frente, não importa o quanto estejam remando e investindo em remos, porque todo o resto da cadeia está parada e ele depende de terceiros para fazer o seu barco andar. Cansar-se pela lentidão dos outros mata mais que a guerra na Síria e um final de semana na região metropolitana.

As crises brasileiras, quando ocorrem, de tempos em tempos, como esta que vivemos agora, sempre são agravadas pela crise do seu próprio povo, a crise da falta de comprometimento, a crise que polui a todos e que nos mata de um cansaço que não há remédio para ser curado.

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