ANO: 25 | Nº: 6278

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
05/07/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Marcos Pérez

Ele tinha 53 anos e morreu de mansinho, como viveu. Desse tempo, uns 30 anos, mais ou menos, convivemos quase que diariamente. Foi uma vida inteira de parceria e muito do que penso e do que sou, devo ao Marcos. Fomos companheiros políticos e todos sabem a importância que o Marcos teve para a construção da história bem sucedida do PT, partido do qual foi presidente em Bagé. Trata-se de um militante político e social que deixou sua marca por onde passou.
A marca do Marcos não é dessas que se faz na carne. Marcos marcava a alma. E a minha, após 30 anos de convívio, está vivamente tingida por sua passagem. Foram tantas histórias e experiências que não é possível contá-las nem que para isso um livro inteiro fosse escrito.
O conheci assim que iniciei minha vida política na cidade, ainda estudante de Direito. Marcos Pérez já era jornalista. Nos encontramos enfrentando, cada um ao seu modo, aquilo que era a tragédia da nossa geração, a ditadura militar. Em Bagé, área de segurança nacional, embora em seus estertores, o regime de exceção se fazia forte e não era fácil nem ser estudante, nem ser jornalista com algum compromisso social.
E Marcos os tinha. Seu compromisso com a verdade, com a objetividade do relato, sua paixão por reportar os fatos como aconteceram, foram coisas que nos aproximaram. Aquilo para mim era revolucionário. Eu era um militante, Marcos um profissional. Eu fiz de minha militância um engajamento permanente e segui o caminho da política e das eleições. Marcos fez de seu engajamento profissional uma militância e seguiu o caminho da assessoria de imprensa. A partir daí, estabelecemos o pacto que durou até o final de sua vida: de lutarmos juntos para mudar o mundo, tornando-o mais justo e igual.
Marcos já convivia comigo quando eu ainda era vereador. E foi ali que iniciou nosso aprendizado comum, de que a mudança do mundo precisaria começar pela nossa aldeia. “Fale de sua aldeia e seja universal”, me ensinou o Marcos, citando Tolstoi. E eu trago isso desde então. Lembro que embora nascido em Livramento, Marcos era um bajeense por escolha e essa era só mais uma de nossas identidades.
A consequência óbvia desta situação foi a decisão, apoiada e incentivada por Marcos, de ser candidato a prefeito da cidade. Desde quando isso era apenas um sonho, em minha primeira candidatura, Marcos me acompanhou e apoiou, dando um suporte imenso para a campanha, com sua criatividade, fidelidade e disposição de trabalho.
E quando alcançamos esse objetivo, Marcos foi um dos que compuseram o núcleo fundamental de meu governo. Como todos sabem também, Marcos já não era apenas um jornalista, era um dos principais quadros políticos de nosso partido. Assim, como não era mais apenas um assessor de imprensa, mas um dirigente no qual eu depositava a confiança de me representar. Em verdade, Marcos Pérez sempre ajudou a formular minhas opiniões, com insistência, às vezes, mas sem nunca perder a humildade e a simplicidade nos argumentos.
Marcos, portanto, é um dos responsáveis por todas as mudanças que fizemos em Bagé. Em cada um dos projetos, e foram centenas, que beneficiaram os milhares de bajeenses, lá está, para sempre, a mão, o cérebro, a alma de Marcos Pérez. Era feliz com nossa militância e com o que fizemos aqui.
Assim como eu, Marcos Pérez estava descontente com a situação política do País. Era um momento de recomeçar, dizia-me. E morreu sem ver o recomeço. Mas nós honraremos a sua vontade, a sua militância, a sua vida, a sua alma. E eu ainda direi, em algum momento do futuro próximo, em algum lugar de Bagé, quando realmente recomeçarmos: Marcos Pérez está presente!
Obrigado, muito obrigado professor!

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