ANO: 23 | Nº: 5789

Fernando Risch

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Escritor
07/07/2017 Fernando Risch (Opinião)

Vinte e dois graus

Vinte e dois graus

Eu sei, eu sei. Nós precisamos pensar urgentemente nas próximas gerações. O que deixaremos para nossos netos? Bisnetos? Não sei. Talvez um mundo onde os seres humanos sejam amarelados, bebam azeite de oliva e não tenham nariz nem cabelo. Vai saber.

Estamos em julho, no pico do inverno. Neste momento, a janela do meu escritório está aberta e eu visto uma camiseta de manga curta. Vinte e dois graus acompanham a brisa cheirosa que cruza por mim. Estou feliz. Não tem como não ser feliz com vinte e dois graus, um céu azul e um sol agradável.

Não sei o que está acontecendo. Sinceramente, não sei. Talvez o aquecimento global seja irreversível e nós, vivendo neste maravilhoso inverno de vinte e dois graus, não tenhamos nada a fazer a não ser são abrir um belo sorriso e aproveitar a magnificência destes vinte e dois graus.

Vinte e dois graus. Não me canso de dizer. Em julho, no inverno. O cheiro no ar não é de inverno. Nós conseguimos distinguir uma estação pelo cheiro. Não há aroma de lenha queimando ou coisa parecida, não há inverno entrando nas minhas narinas, apenas a maravilhosa sensação de uma primavera de outubro. Não sei.

Só sei de uma coisa: vinte e dois graus. O que você está esperando? Largue tudo e vá viver a vida. Esqueça as outras páginas do jornal, não há nada relevante para se saber. A única coisa que você precisa saber é que lá fora, neste exato momento, faz vinte e dois graus. E não há nada melhor que vinte e dois graus.

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