ANO: 25 | Nº: 6385

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
08/07/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Falsos cristos e falsos profetas

         “Haverá falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes prodígios e coisas espantosas, a ponto de seduzir, se fosse possível, os próprios eleitos”.

         A passagem evangélica precita é utilizada como arma contra os espíritas e os médiuns pelos detratores do Espiritismo.

         No entanto, como bem refere Allan Kardec, “se fôssemos recolher nos Evangelhos todas as passagens que se constituem em condenação para os adversários do Espiritismo, delas faríamos um volume”.

         Muitas pessoas, desconhecedoras do Espiritismo, são levadas a suspeitarem da boa-fé dos médiuns. Mas, como dito, tais pessoas desconhecem o Espiritismo, porque se estudassem e experimentassem teriam os meios de se assegurar da realidade dos fatos.

         Allan Kardec, na obra “O Que é o Espiritismo” relata que “fora da realidade dos fatos, a melhor garantia que podem encontrar está no desinteresse absoluto e honorabilidade do médium”.

         Há pessoas que, pela sua posição e seu caráter, escapam a toda suspeição. Se a atração do ganho pode excitar a fraude, o bom senso diz que, onde não há nada a ganhar, o charlatanismo nada tem a fazer.

         Exemplo claro de desinteresse absoluto e honorabilidade foi a obra de Francisco Cândido Xavier, autor de inúmeros livros, todos com os seus direitos autorais doados à Federação Espírita Brasileira em nome da difusão do “Consolador Prometido”.

         No tocante ao trecho do Evangelho ventilado logo de início, é preciso deixar claro que nem os espíritas, nem os médiuns se fazem passar por cristos ou profetas; declaram, por sua vez, que não fazem milagres para impressionar os sentidos, e que todos os fenômenos tangíveis produzidos por sua influência são efeitos que entram nas leis da Natureza, o que não é o caráter dos milagres.

         Ao contrário, se quisessem se fazer passar por profetas, não teriam se privado do prestígio poderoso atribuído ao dom dos milagres. Noutro enfoque, os ditos “milagres” encontram explicações e o que poderia passar como sobrenatural aos olhos do povo e ser explorado, entram nas leis que regem o Universo.

         Para Kardec, “o verdadeiro profeta é um enviado de Deus para advertir ou esclarecer a Humanidade. Ora, um enviado de Deus só poder ser um Espírito Superior e, como homem, um homem de bem. Será reconhecido por seus atos, que trarão o cunho de sua superioridade, e pelas grandes coisas que realizará pelo bem e para o bem, e que revelarão sua missão, sobretudo às gerações futuras, pois que, conduzido muitas vezes e sem o saber por uma força superior, quase sempre se ignora a si mesmo. Não será, pois, ele que se atribuirá essa qualidade: são os homens que o reconhecerão como tal, as mais das vezes após a sua morte”.

         Suponhamos, agora, que um homem dotado de grande força mediúnica ou magnética queira atribuir-se o título de profeta ou de Cristo. Fará prodígios a ponto de seduzir os próprios eleitos, isto é, alguns homens bons e de boa-fé; daqueles terá a aparência, mas lhes terá as virtudes?

         O Espiritismo também diz: desconfiai dos falsos profetas! Pois lhes vem arrancar as máscaras. Ele repudia todas as mistificações e não cobre com o seu manto nenhum abuso que se cometa em seu nome.

         (Referências: Allan Kardec. Viagem Espírita em 1862. FEB Editora p. 128-130. Allan Kardec. O Que é o Espiritismo. IDE Editora)

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