ANO: 24 | Nº: 6057
10/07/2017 Cidade

Fim da cobrança mais barata para mulheres em festa entra em vigor no final deste mês

Foto: Tiago Rolim de Moura

Empresas têm até o final de julho para se adequar à medida
Empresas têm até o final de julho para se adequar à medida

Prática comum em muitas festas em todo o Brasil, a cobrança de ingressos com valores diferenciados para mulheres foi proibida em todo o País. Segundo o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, esta ação utiliza a figura da mulher para atrair clientes do sexo masculino para o estabelecimento.

A nota técnica do ministério cita a garantia constitucional de que mulheres e homens são iguais em direitos e obrigações e argumenta que os preços diferentes significam “uma afronta à dignidade da mulher, pois, ao utilizá-la como forma de atrair consumidores masculinos para aquele ambiente, o mercado a considera como um produto que pode ser usado para arrecadar lucros, ou seja, obter vantagens econômicas”.

A lógica da ação é a seguinte: quanto mais barato for a entrada para as mulheres, um número maior irá frequentar o local. A presença maciça do público feminino é uma atração à parte para os homens em festas, bares, restaurantes e casas noturnas.

A decisão foi motivada após uma situação ocorrida em Brasília no mês passado, após o processo movido por um estudante de Direito contra um estabelecimento que cobrava, pelo ingresso de um show, preços distintos para mulheres e homens. A alegação do estudante é que reafirmando a igualdade entre ambos perante a lei, ele deveria pagar o mesmo valor do ingresso feminino.

Apesar de não ser assídua em festas que utilizem a mulher como estratégia de marketing, a administradora Mariélen Freitas, 29 anos, afirma que é a favor da proibição. “Hoje em dia lutamos tanto por igualdade que não me importo em pagar o mesmo que os homens. E cá entre nós, essa história de mulheres free sempre foi chamariz, pois era o que eu ouvia dos próprios homens, que iriam para a balada "tal" porque só ia ter mulher”, comenta.

Ela defende a equiparação de valores por acreditar que a prática visa apenas o lucro do empreendimento. “Hoje em dia, acredito que os ingressos mais baratos para mulheres, na maioria das vezes, são com essa intenção, realmente”, observa.

A relações públicas Tanara Lucas, 31 anos, endossa este pensamento. “Sou completamente a favor da proibição. Todos sabem o motivo pelo qual os empresários da noite fazem isso: o preço baixo é um chamariz para nós, mulheres, e nós para os homens”, afirma.

Para o militar Davi Valério, 32 anos, o ingresso diferenciado era uma forma de economia para o casal, já que entre ele e a namorada, os gastos costumam ser mais altos. “Para o casal seria bem melhor se a mulher pagasse menos, mas hoje as festas só visam lucrar cada vez mais”, comenta.

O prazo para a cobrança equiparada para todos os gêneros passa a valer no final deste mês. Se até lá os estabelecimentos não se adequarem e ainda ocorra distinção de preço, o consumidor poderá exigir o mesmo valor cobrado das mulheres e os estabelecimentos estarão sujeitos à multa.
A reportagem do MINUANO entrou em contato com alguns empresários da noite, que preferiram não se manifestar sobre a medida.

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