ANO: 23 | Nº: 5691

Dilce Helena dos Santos

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
11/07/2017 Dilce Helena dos Santos (Opinião)

Meus heróis não morreram de overdose!

Tenho um sentimento de realização e plenitude com a minha profissão. Não por pensar que a psicologia é a solução do mundo, sei que está longe disso. Mas por me proporcionar estar perto das pessoas e conhecer um pouco das batalhas pessoais que cada ser humano trava. Isso inspira e aumenta meu respeito pela peculiaridade de estar próxima das pessoas, auxiliando, sendo apoio, compartilhando, construindo conjuntamente saberes e, acima de tudo, sendo um agente de transformação pessoal e social.
Apesar disso, não me canso de dizer que já vi mais milagres acontecerem, em termos de transformação e desenvolvimento pessoal, na educação, na arte e no esporte que dentro da clínica psicológica.
Vejo o potencial transformador que o acesso ao conhecimento e aprofundamento nessas áreas tem a oferecer em termos de autoestima, disciplina, capacidade de viver em grupo, empatia e autoconhecimento. No esporte, na educação e na arte um ser se descobre e desabrocha, aprende a usar os erros a favor do crescimento, desenvolve de forma autêntica suas potencialidades e encontra seu lugar no mundo.
Quando eu era adolescente, acompanhei com entusiasmo a evolução do Brasil em um esporte em especial, o vôlei. Sofri com cada derrota e vibrei com cada avanço conquistado pelas gerações que fui acompanhando, desde Wilian, Montanaro, Bernard e Renan, enquanto eu mesma amadurecia como jovem que era. Ali na frente da TV, compreendi o que era resiliência, embora eu nem conhecesse este termo ainda, pois me encantava como eram incansáveis e inabaláveis aqueles meninos independentemente dos resultados alcançados.
Inesquecível a final deste esporte nos Jogos Olímpicos de Barcelona, acredito que nossa primeira e mais significativa conquista. Levantamos cedo na minha casa numa manhã fria de domingo em agosto de 1992 para ver o que parecia impossível, a medalha de ouro. Aqueles eram meus heróis, numa época em que as alegrias do esporte não estavam por aqui, nem no futebol, muito menos no vôlei. A vitória foi saboreada ponto a ponto e não parou mais, tanto que o vôlei brasileiro continua até hoje crescendo e sendo referência para o mundo.
Aquela geração inteira fez história na quadra e segue fazendo a diferença fora dela, passados exatos 25 anos. Hoje muitos projetos sociais formam, através do vôlei, bons cidadãos e pessoas realizadas pelo
País através da maioria daqueles atletas. Marcelo Negrão, Tande, Giovane, Maurício, Carlão, Paulão, Pampa, Douglas, Amauri, Janelson, Jorge Édson, Talmo, Nalbert e o técnico José Roberto Guimarães. Uma prova disso, é que o auditório do museu Dom Diogo de Souza lotou no sábado 1º de julho, para a palestra de Paulão, que trouxe sua construção como pessoa através do esporte, vivência de valores desenvolvidos no esforço, superação, garra, importância da coletividade, disciplina, persistência e gratidão à família. Tantos professores (muitas vezes isolados, sem apoio ou credibilidade) inspiram e trabalham por isso, pela conquista de valores que fazem falta no momento em que vivemos onde parece haver uma carência de quem admirar.
As novas gerações estavam lá para ver e ouvir que há bons exemplos a seguir, existe quem atingiu o sucesso à base de dedicação e esforço coletivo, e isso é o que considero mais admirável. Eles poderiam estar comodamente vivendo de passado, mas não, estão por aí plantando novos talentos e valores coerentemente com a posição que ocupam de primeiro esporte coletivo a conquistar o ouro olímpico no Brasil.
Realmente, meus heróis não morreram de overdose!

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