ANO: 25 | Nº: 6278

Sidimar Rostan

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Editor de política e comentarista da coluna Fogo Cruzado. Jornalista, é especialista em Comunicação e Política e subeditor geral do Jornal Minuano.
11/07/2017 Sidimar Rostan (Editorial)

Uma ameaça silenciosa

Privilegiando a informação, a Política Nacional de Controle do Tabaco serve de exemplo para o mundo. A convenção utilizada como parâmetro internacional, que já foi ratificada por 180 países, determinando a adoção de medidas intersetoriais nas áreas de propaganda, publicidade, patrocínio, advertências sanitárias, tabagismo passivo, tratamento de fumantes, comércio ilegal, preços e impostos, tem o Brasil como principal referência. E não é para menos. O País coordenou a elaboração das normas que compõem o pacto, durante os anos de 1999 e 2003. Apesar das conquistas, uma pesquisa recente comprova, entretanto, que ainda existe muito terreno para avançar.
As contas do tabagismo não fecham. Estudo realizado pelo Instituto de Efectividad Clínica y Sanitaria, com apoio do Instituto Nacional de Câncer (Inca), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), revela que aproximadamente R$ 56,9 bilhões são gastos, por ano, pelo Brasil, com despesas médicas e em decorrência da perda de produtividade provocadas pela dependência do consumo de nicotina. Ocorre que o País arrecada, no mesmo período, apenas R$ 13 bilhões em impostos sobre a venda de cigarros. Os números não deixam dúvida de que o hábito de fumar representa, de fato, uma ameaça à saúde pública em ao meio ambiente.
Não faltam dados sobre o volume de desmatamento ou o impacto da cultura no campo dos problemas sanitários e sociais para os agricultores. As informações, entretanto, são ainda mais precisas no que tange os reflexos negativos relacionados ao consumo. É notório, por exemplo, que ele afeta a saúde de pessoas que apenas inalam a fumaça. De acordo com estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), os produtos do setor matam dois em cada três consumidores. O contexto deixa claro que os altos investimentos ainda não são suficientes. Fica evidente que esta espécie de tentativa de negar a existência do tabaco perdeu apelo como estratégica para equacionar a questão. A solução passa, inevitavelmente, pelo debate.

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