ANO: 23 | Nº: 5740

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
12/07/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Segurança: os factoides do Sartori

Na semana passada, o governador Sartori anunciou o que diz ser o maior concurso público para a área da segurança da história do Rio Grande. Para informar a abertura do concurso, chamou a imprensa em coletiva e fez um pomposo evento no Palácio Piratini. Perguntado quando o concurso se realizaria, não soube dizer. Perguntado em quanto tempo os novos brigadianos e policiais civis estariam nas ruas para enfrentar a criminalidade, tergiversou.
Dois dias antes, o governo havia colocado no ar um comercial publicitário que, em síntese, dizia que o Rio Grande do Sul vai muito bem obrigado em relação ao tema da segurança. A mentira explícita é vergonhosa. Mas o mais constrangedor é que no momento em que o comercial estava sendo gravado, na zona sul de Porto Alegre, funcionários de um mercado distante apenas duas quadras das gravações esperavam a presença da polícia por conta de um assalto que havia ocorrido.
A simultaneidade do comercial de televisão e do anúncio do concurso não deixa dúvidas: trata-se, evidentemente, de propaganda, não de uma política pública racional e tecnicamente sustentada. É a nova escolha do governo frente aos crescentes indicadores de violência: responder com investimentos em........publicidade.
No início do seu governo, Sartori apostou que os cortes no financiamento da segurança e no quadro de pessoal da Brigada não interferiria nos índices de violência. Errou feio. Suas escolhas criaram uma situação insustentável, com os indicadores de homicídio e latrocínio crescendo ao redor de 30%, em dois anos.
Agora, ao invés de reconhecer os seus erros e iniciar, paulatinamente, uma recomposição real dos quadros da segurança e um aumento efetivo de financiamento para reorganizar estruturalmente o aparato de segurança do Estado, Sartori opta pela propaganda. Quer dizer, cria os famosos “factoides”, que são anúncios sem qualquer efetividade.
Na realidade, mesmo que o concurso se realizasse imediatamente, nenhum dos concursados estaria apto ao trabalho de rua antes de, pelo menos, um ano e meio. Além disso, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), votada esta semana, não há qualquer previsão de que novos recursos serão agregados à rubrica da segurança pública, ao contrário.
O atual governo vem diminuindo os investimentos em segurança e não aumentando, como seria obviamente necessário para resolver os problemas que estamos enfrentando. Isso evidencia que o anúncio do concurso só pretende um efeito psicológico, o que, além de uma irresponsabilidade política é uma maldade com a população. Vergonhoso!

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