ANO: 23 | Nº: 5791

Fernando Risch

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Escritor
14/07/2017 Fernando Risch (Opinião)

O Brasil nunca terá estabilidade política

Com a condenação de Lula, nesta quarta-feira, feita pelo juiz Sérgio Moro, alguns amigos se mostraram impressionados e embasbacados que uma multidão de petistas pediam aos berros o retorno do ex-presidente ao cargo mais importante do País. Eles se perguntavam como aquilo era possível. Como pessoas pediam um condenado na presidência. A resposta era óbvia, maquiada por uma barreira de visões políticas.
Primeiro, a história não se baseia só no agora, mas num longo processo corrosivo que colocaram um réu e um juiz num embate frontal, como se o juiz fosse um promotor. Nesta longa e desgastante luta entre A e B muito aconteceu: Lula virou ministro, grampos foram vazados seletivamente, Lula deixou de ser ministro, Lula fora conduzido coercitivamente de uma forma midiática, Dilma caiu, uma nevasca de incalculáveis acusações contra outros políticos surgiram e Lula nunca foi preso – e como não foi agora, apenas condenado.
No desgaste destes fatos, para aqueles que achavam Lula culpado desde sempre, ele era culpado; para quem acreditava na inocência do ex-presidente, ele era inocente, porque nada nunca foi provado – e mesmo sem foro privilegiado, Lula nunca sofrera uma condenação. Até agora. Mas, mesmo agora, com a condenação, a sentença de Sérgio Moro, para um apoiador de Lula, é irrisória e com ares políticos.
No momento em que se vê o atual presidente Michel Temer e seus aliados embretados nas mais diversas acusações de corrupções, com cifras expressivas, na casa das dezenas de milhões, um triplex no Guarujá soa como piada a um ouvido petista. Quando se vê Aécio Neves passar ileso pelo STF, mesmo com áudios gritantes com pedidos de propina, quando se vê a cúpula do PMDB sair intocada dos mais escandalosos casos, tudo parece pouco, mesmo que uma coisa não tenha a ver com a outra.
Por mais que alguns não compreendam o porquê de tanta gente, mesmo com uma condenação, querer Lula de volta ao poder, aqueles que apoiam o ex-presidente não entendem a seletividade de indignação imposta entre um caso e outro por aqueles que querem Lula preso. Num futuro de curto e médio prazos, ninguém entenderá ninguém e a estabilidade política do Brasil jamais existirá para colocar o País no eixo da confiança.

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