ANO: 23 | Nº: 5791

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
15/07/2017 Airton Gusmão (Opinião)

A palavra de Deus precisa ser comunicada e acolhida

Falando do anúncio do Evangelho no mundo atual, o Papa Francisco nos recorda: “A Palavra possui, em si mesma, tal potencialidade, que não a podemos prever. O Evangelho fala da semente que, uma vez lançada à terra, cresce por si mesma, inclusive quando o agricultor dorme. A Igreja deve aceitar essa liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que, muitas vezes, nos escapam, superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas” (Alegria do Evangelho, 22).
O Evangelho deste domingo fala da Parábola do semeador que saiu para semear e que algumas sementes caíram à beira do caminho, outras em terreno pedregoso, outras no meio dos espinhos, e outras em terra boa que produziram frutos (Mt 13,1-23).
A fé, como nos diz São Paulo, vem pela pregação, pelo anúncio do Evangelho e, por isso, precisa ser anunciada, comunicada, testemunhada, celebrada. Mesmo encontrando resistências, corações duros, inconstantes, materialistas, mas também corações abertos e disponíveis, a Palavra de Deus é eficaz, irreversível, como nos recorda o profeta Isaías: “a palavra que sair de minha boca não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la” (55,10-11).
Jesus oferece sua palavra ao mundo, palavra divina, viva e eficaz. A semente é boa, capaz de produzir fruto para a vida e a liberdade. Porém, é preciso preparar o coração para se deixar “engravidar” pela Palavra, escutando com atenção e respeito essa Palavra. Depois de bem escutada, a Palavra tem necessidade de ser posta em prática, pois ela chega ao coração pela escuta e é gestada no coração das pessoas para se tornar ação prática na vida cristã.
Estamos vivendo o Ano Mariano no Brasil e, como diz o Papa Francisco, na parábola do semeador, refletindo sobre a terra boa, que são aqueles que, tendo ouvido a palavra com um coração bom e virtuoso, conservam-na e dão fruto com a sua perseverança; em referência à Palavra ouvida e conservada, temos um retrato implícito da fé da Virgem Maria (Carta Encíclica sobre a Fé, nº 58). Ela que “conservava todas estas recordações e as meditava no coração” (Lc 2,19), nos ensina o primado da escuta da Palavra na vida do discípulo missionário; pois ela fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus, como nos lembra o Documento de Aparecida, nº 271.
Deus é abundante na sua graça e na sua misericórdia. Ele quer salvar a todos, e por isso, deseja que a sua Palavra chegue a todos: aos que estão abertos e aos que estão fechados, aos que crêem e aos que não crêem, aos justos e aos injustos, aos santos e aos pecadores.
Este mesmo Deus procura por semeadores generosos, nos convidando a reavivar o sentido da nossa missão de semeadores, tendo a consciência de que não nos cabe, como semeadores, responder pela qualidade do terreno, mas pela fidelidade em lançarmos a semente no momento oportuno e inoportuno.
O Evangelho deste final de semana nos garante, que apesar do aparente fracasso, das resistências, o sucesso do Reino de Deus está garantido, e o resultado final será algo surpreendente e maravilhoso. Como cristãos e pessoas de boa vontade nos perguntemos: que tipo de terreno somos nós? Que semeadores somos nós? Vale a pena semear?
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Parabéns pelos 206 anos de Bagé no próximo dia 17, e somos convidados a participar nesta data, às 16horas, de uma Celebração Ecumênica na Igreja Episcopal Anglicana do Crucificado, em ação de graças pelo nosso município. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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