ANO: 23 | Nº: 5740

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
15/07/2017 Marcelo Teixeira (Opinião)

Os tranca-ruas da fronteira

No dia 28 do mês passado o MINUANO publicou interessante matéria sobre o tamanho da frota de veículos de Bagé e os problemas que isso cria para a mobilidade urbana. A matéria informava também sobre o planejamento para as modificações no nosso trânsito que, assim como ocorre em quase todas as cidades médias e grandes do Brasil, enfrenta problemas de congestionamento cotidianamente, sobretudo nos horários de pico.
Bagé possui uma frota de 65.085 veículos, ficando em 18º entre as maiores frotas do Rio Grande do Sul, sendo que, na metade sul, fica em terceiro lugar, perdendo apenas para Pelotas (com incríveis 200 mil veículos) e Rio Grande (com 115 mil – quase o dobro de Bagé).
Possuímos, então, um veículo para cada dois habitantes e se essa chusma toda resolver sair na mesma hora, é óbvio que vai faltar rua, como já se percebe. Não interessa para onde a gente vá, estamos pouco a pouco nos acostumando com essa tranqueira no trânsito, seja nas vias urbanas, seja nas estradas. De repente, somos obrigados a diminuir ou até a parar numa estrada, nos integrando a filas infinitas.
Poderia ser algum acidente ou as sempre inoportunas “obras na pista”, mas na maioria das vezes constatamos que não havia nada disso trancando o trânsito, ou seja, era pura e simplesmente um monstro congestionamento que a via, invariavelmente estreita e precária, não tinha condições de dar vazão.
Até aqui tudo normal, faz parte do progresso e temos que ter muita calma nessa hora, pois sabemos que não é da noite para o dia que uma cidade consegue se adaptar a essa nova realidade que se impõe muito mais rapidamente do que podem atender as burocráticas ações públicas solucionadoras destes nós no tráfego urbano ou rodoviário. Isso sem falar quando, inspiradas por alguma entidade obtusa do seu subconsciente, alguma autoridade resolve piorar ainda mais a situação invertendo preferenciais, criando mini-rotatórias perigosíssimas, ou desperdiçando sinaleiras em cruzamentos onde o tráfego só se complica duas vezes no dia. (#FicaADica1)
Como se não bastasse esse coquetel de fatores que congestionam até a mais remota e despovoada viela, ainda tem os pachorrentos tranca-ruas, pessoas que vivem no mundo da lua, ensimesmados na sua lerdeza, sem o menor senso de coletividade nem de consciência da problemática dos congestionamentos acima referidos. Param em fila dupla como se não houvesse mais ninguém no mundo, transitam a 3 km/h só para se exibir para quem está dentro ou fora daquela máquina que tem mais escrúpulos que o seu condutor.
Como a atual administração municipal decidiu – para alívio do bolso dos contribuintes motoristas – não renovar o contrato do radar móvel para punir aqueles que transitavam acima da velocidade máxima permitida, quem sabe o comando dos 'azuizinhos' não desencadeie uma operação inversa visando melhorar o fluxo das zonas congestionadas, advertindo ou multando os tranca-ruas com base no Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9503/97) que no seu art. 62 diz: “A velocidade mínima não poderá ser inferior à metade da velocidade máxima estabelecida, respeitadas as condições operacionais de trânsito e da via.”. Complementado pelo disposto no art. 219 do mesmo diploma legal que diz: “Transitar com o veículo em velocidade inferior à metade da velocidade máxima estabelecida para a via, retardando ou obstruindo o trânsito, a menos que as condições de tráfego e meteorológicas não o permitam, salvo se estiver na faixa da direita: Infração - média; Penalidade - multa.”? (#FicaADica2)
Nada contra quem quer andar devagar, mas, por bom senso e também por recomendação da lei, saia da frente, dê passagem, tenha o mínimo de respeito por quem não está de valde.

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