ANO: 24 | Nº: 6185

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
18/07/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Família, origem de tudo

Família. Onde surgimos e exercitamos nosso primeiro e talvez mais difícil papel, o qual passamos o resto da vida tentando compreender ou superar. Nela temos a oportunidade de conhecer o pior e o melhor de nós mesmos e também o positivo e negativo das relações e dos afetos mais intensos.
A família já se transformou muito ao longo da história e continua a se reinventar. São várias possibilidades e constelações. Mas, ela permanece lá, sendo o esteio básico onde a criança recebe os cuidados essenciais, práticos para a sobrevivência e os mais abstratos e sofisticados valores, hábitos, cultura, afeto, conceitos e preconceitos, que só o ser humano oferece a sua prole.
Na família encontramos conteúdo para uma vida inteira de terapia para tentar entender o contexto em que nascemos, como fomos criados, o que pensavam nossos pais e porque fizeram as escolhas que nos geraram como somos. Buscar conhecer nossos pais, muitas vezes até mesmo depois que já se foram. Encarar onde erraram e fazer o exercício do perdão com o objetivo de parar de carregar pesos desnecessários vida afora. Desnudar e admitir onde erramos com estas pessoas que muitas vezes demoramos tempo demais a compreender e respeitar, para exercitar desta vez o autoperdão, também a fim de soltar amarras e não dar continuidade à autopunição por remorso.
Em família escutamos ou assistimos coisas que não podemos admitir em nós mesmos. É a possibilidade concreta de crescimento, de tornar-se responsável pelo o que estamos nos tornando sem repassar a culpa.
Na família temos chances de aprender a cuidar e a deixar-se cuidar. O cuidado simples, diário, gratuito e continuado que cria aquela atmosfera de conforto que envolve o laço entre pessoas que se querem bem apesar dos problemas que sempre surgem, seja pela vida e suas dificuldades, seja pelos próprios desafios que a convivência sempre proporciona.
Em família pode-se aprender a respeitar a si mesmo e aos outros, a rir das bobagens que levamos a sério e nos fazem sofrer, a brigar de modo ético (sem ofender), compreender que erramos e que é melhor admitir nossos erros do que tentar encobri-los. Temos a oportunidade de aprender a desculpar e a desculpar-se, a enfrentar a preguiça de melhorar, a demonstrar o que se sente e o que pensa. Na família aprendemos sobre histórias de vida, aprendemos a conversar, a falar e a ouvir. Nenhuma família é perfeita ou tranquila, todas são caóticas e vivas, em pura transformação e provocação contínua de seus integrantes. Ou seja, tudo aquilo que mais nos irrita e nos atrita é o mesmo que nos instiga a encontrar dentro de nós mesmos uma versão melhor de nossa forma de ser, uma estratégia melhor de lidar com tudo isso, ou ainda de ser diferente. Aceitar e integrar em si mesmo as próprias origens e acomodar essas experiências de uma forma mais amorosa e grata, apesar de todos os desafios e sofrimentos. Este propósito pode fazer de nós pessoas mais leves e capazes de continuar dando sentido original à própria história de vida.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...