ANO: 24 | Nº: 5959

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
19/07/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

A condenação política de Lula


O presidente Lula foi condenado pelo Juiz Sergio Moro por corrupção passiva e ocultação de patrimônio. Se depender do Moro, Lula ficará nove anos e meio na cadeia e 19 anos impedido de concorrer a cargos públicos. A acusação é de que ele recebeu de uma empreiteira que trabalhava para a Petrobrás um apartamento em uma praia paulista. Segundo o Juiz, isso significou mais de dois milhões em propina.

Ocorre que durante todo o processo, que se estendeu por mais de um ano, nenhuma prova de que o apartamento foi ou é de Lula apareceu. Ao contrário, a defesa do presidente comprovou que o apartamento jamais foi dele. Através de documentos formais e válidos, além de vários depoimentos, ficou demonstrado no processo que a habitação constava em uma carta de garantias que a própria construtora fizera à Caixa Econômica Federal em busca de financiamento para outros empreendimentos.

Por incrível que possa parecer, em um contrassenso absurdo e perigoso para o sistema jurídico e constitucional brasileiro, no processo contra Lula o ônus da prova coube à defesa. Mas o pior é que a defesa comprovou que a acusação não tinha comprovação nos fatos e, mesmo assim, foi desconsiderada.

Esses fatos, já denunciados por centenas de juristas do país inteiro, demonstram inequivocamente que se trata, na verdade, que as acusações contra Lula e os processos que tramitam contra ele são, na verdade, ações fundadas em razões políticas e não jurídicas. Quer dizer, condena-se Lula não por um eventual crime – que para existir precisaria ser provado -, mas pela simbologia política que ele condensa.

Os processos e as condenações, não duvidem, fazem parte de uma ardilosa tentativa de tirar Lula do jogo político brasileiro, impedindo-o de ser candidato a presidente em 2018. Essas ações estão relacionadas à mesma lógica do golpe que depôs a presidenta Dilma e colocou no poder a quadrilha que hoje nos governa e saqueia os direitos dos trabalhadores, fazendo o Brasil recuar 74 anos em termos de conquistas sociais.

Condenar Lula, portanto, é condenar o povo brasileiro ao abandono. Isso nos revolta ainda mais quando sabemos que os verdadeiros culpados, contra os quais sobram provas, gravações e delações, como é o caso do Aécio Neves e do próprio Temer, cumprem seus mandatos como se nada tivesse acontecido, acobertados pela injustiça institucionalizada que hoje campeia em nosso país.

Mesmo assim, vamos continuar lutando. Como o próprio presidente Lula disse em sua entrevista, após a condenação, apenas o povo brasileiro tem o direito de lhe tirar do jogo político e eleitoral. Agora, quando as injustiças contra Lula ficam mais evidentes e violentas, nossa vontade se reforça. Defendê-lo é defender a democracia e o povo brasileiro. Elegê-lo novamente presidente, para recuperar o Brasil, que já foi, em passado recente, um país do qual podíamos nos orgulhar, é a única forma de fazer justiça nesse caso.


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