ANO: 25 | Nº: 6209
20/07/2017 Campo e Negócios

Federarroz prevê dificuldades ainda maiores para próximo ano

Os atuais problemas de seletividade de crédito e comercialização enfrentados pelos arrozeiro deverão ocorrer novamente no próximo ano. Os assuntos foram abordados pela Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), nesta terça-feira, dia 18, durante reunião em Brasília, da Câmara Setorial do Arroz, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A entidade também agradeceu a atuação do ministério acerca dos alongamentos junto ao Banco do Brasil e as confirmações que deverão ocorrer nos casos dos bancos Banrisul, Sicredi e Caixa Econômica Federal, mas salientou, novamente, a descapitalização que o setor vem sofrendo nas últimas safras.
O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, afirmou que a entidade iniciará um alerta aos produtores de arroz do Brasil e países vizinhos sobre os problemas a serem enfrentados pelo setor no próximo ano mediante apresentação de diagnóstico. “A previsão é de preços não remuneradores no primeiro semestre de 2018 e um segundo semestre tão apertado como o que estamos vivenciando neste ano, em função de expectativa de aumento dos estoques de passagem do Mercosul e mercado internacional relativamente pouco valorizado”, destacou.
A Federarroz prevê que se não houver uma redução na área plantada com o arroz no Mercosul, mínimo de 250 mil hectares no Brasil, e 50 mil hectares no Paraguai, Uruguai e Argentina, o setor entrará em uma espiral muito negativa, similar aos anos de 2011 e 2012. “O indicativo é que no final da atual temporada, safra 2016/2017, sobrou em estoque 1,4 milhão de toneladas no Brasil. Caso a área se mantenha, para o próximo período de 2017/2018, deverá sobrar o mesmo volume, podendo resultar em estoque de passagem superior a 2 milhões de toneladas, volume extremamente nocivo ao setor produtivo”, enfatizou Dornelles.
A Federarroz aconselha aos produtores que tenham claro e em mente as dificuldades que serão enfrentadas no próximo período comercial, que poderão ser ainda maiores a depender do volume da próxima colheita. Segundo Dornelles, a Federarroz novamente alerta que agora é o momento de negociar os arrendamentos de arroz, ou mesmo devolver ao proprietário áreas cujo arrendamento for superior a 10% do volume líquido da safra, pois o setor não está tendo a rentabilidade necessária para sequer cobrir os custos de produção. “Muitas coisas somente competem ao produtor, na busca da rentabilidade adequada”, salientou.
Nos últimos anos, a Federarroz trabalhou junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com o objetivo de escoar os estoques públicos, acarretando em um enxugamento do mercado e maior comodidade ao produtor. Em relação aos custos de produção, maior problema do setor, a entidade já vem trabalhando, cujos resultados são esperados a longo prazo. A única salvaguarda que os produtores brasileiros possuem, hoje, é que argentinos, uruguaios e mesmo paraguaios estão passando pelas mesmas dificuldades, tornando improvável uma evolução do plantio nesses países. "A melhor ação setorial que os arrozeiros mercosulinos podem fazer é regular a área para atenuar os problemas futuros", finaliza Henrique Dornelles.

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