ANO: 25 | Nº: 6404

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
22/07/2017 José Artur Maruri (Opinião)

A caridade pelo espírito Vicente de Paulo

Na última quarta-feira, 19, o calendário assinalou o “dia da caridade”. No entanto, em que consiste a caridade, segundo o Espiritismo, doutrina tão amiga e consoladora?
Para responder a questão, Allan Kardec se assessorou de um espírito resplandecente, Vicente de Paulo.
Durante sua vida terrena mais conhecida, foi um grande sacerdote católico francês, declarado santo pelo Papa Clemente XII. Um dos grandes protagonistas da Reforma Católica na França do século 17. Sua vida foi uma história de amor aos pobres e a Deus.
O primeiro ano da Revista Espírita, 1858, editada por Allan Kardec, trouxe uma comunicação do espírito de Vicente de Paulo proferida na Sociedade de Estudos Espíritas, Paris, sessão de 8 de junho do ano suprarreferido, in verbis:
“Sede bons e caridosos: essa é a chave dos céus, chave que tendes em vossas mãos. Toda a eterna felicidade se contém neste preceito: ‘Amai-vos uns aos outros’. (...)
A caridade é a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras. Sem a caridade não há esperar melhor sorte, não há interesse moral que nos guie; sem a caridade não há fé, pois a fé não é mais do que pura luminosidade que torna brilhante uma alma caridosa; é a sua consequência decisiva.
Quando deixardes que vosso coração se abra à súplica do primeiro infeliz que vos estender a mão; quando lhe derdes algo, sem questionar se sua miséria não é fingida ou se seu mal provém de um vício de que deu causa; quando abandonardes toda a justiça nas mãos divinas; quando deixardes o castigo das falsas misérias ao Criador; quando, por fim, praticardes a caridade unicamente pela felicidade que ela proporciona e sem inquirir de sua utilidade, então sereis os filhos amados de Deus e ele vos atrairá a si.
A caridade é, em todos os mundos, a eterna âncora da salvação; é a mais pura emanação do próprio Criador; é a sua própria virtude, dada por ele à criatura. Como desprezar essa bondade suprema? Qual o coração, disso ciente, bastante perverso para recalcar em si e expulsar esse sentimento todo divino? Qual o filho bastante mau para se rebelar contra essa doce carícia: a caridade?
Não ouso falar do que fiz, porque também os espíritos têm o pudor de suas obras; considero, porém, a que iniciei como uma das que mais hão de contribuir para o alívio dos vossos semelhantes. Vejo com frequência os espíritos a pedirem lhes seja dado, por missão, continuar a minha tarefa. Vejo-os, minhas bondosas e queridas irmãs, no piedoso e divino ministério; vejo-os praticando a virtude que vos recomendo, com todo o júbilo que deriva de uma existência de dedicação e sacrifícios. Imensa dita é a minha, por ver quanto lhes honra o caráter, quão estimada e protegida é a missão que desempenham. Homens de bem, de boa e firme vontade, uni-vos para continuar amplamente a obra de propagação da caridade; no exercício mesmo dessa virtude, encontrareis a vossa recompensa; não há alegria espiritual que ela não proporcione já na vida presente. Sede unidos, amai-vos uns aos outros, segundo os preceitos do Cristo. Assim seja”.
(Referências: Allan Kardec. Revista Espírita, agosto de 1858, FEB Editora. p. 335-337)

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