ANO: 25 | Nº: 6279

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
22/07/2017 Airton Gusmão (Opinião)

A lógica do Reino de Deus

O anúncio do Reino de Deus é, novamente, o tema da Liturgia da Palavra deste final de semana. Sabemos que este Reino não significa um lugar específico, um espaço geográfico, mas é primeiramente uma pessoa, o próprio Cristo enquanto manifestação plena da misericórdia, da bondade e da vontade de Deus em salvar a todos.
Jesus usa, no evangelho deste domingo, breves narrações para revelar os mistérios do Reino de Deus. Nas três parábolas, Ele compara o Reino dos Céus a um campo de trigo, a um grão de mostarda e a um punhado de fermento na massa. As parábolas do grão de mostarda e do fermento na massa foram facilmente compreendidas pelos discípulos, pois indicam que o Reino está presente e cresce no mundo não de forma espetacular, com grandes acontecimentos, mas de forma muitas vezes escondida, a partir de pequenos gestos.
O Reino de Deus não é algo estático, uma estrutura bem feita, mas ele “se faz” todos os dias. Quando nos esforçamos em fazer o bem visitando os doentes, acolhendo os migrantes, partilhando os dons, enfim, quando nos propomos a colocar em prática aquilo que Cristo nos ensinou, o Reino de Deus cresce, não em extensão, mas em intensidade, ou seja, com a docilidade daqueles que colocam Deus em primeiro lugar nas suas vidas. Em relação ao fermento na massa, de fato, o Evangelho tem a força de transformar o nosso coração e o mundo em que vivemos, é como o fermento que faz a massa crescer, assim, em meio a situações de ódio e indiferença, somos chamados a testemunhar a alegria da Boa Nova alimentando nossa fé no Senhor e impedindo que o mal crie raízes em nosso meio. Os cristãos, enquanto “fermento e semente” devem sempre estar a caminho como o Reino de Deus, em direção a plenitude.
Em relação a parábola do joio e do trigo, Jesus revela aos discípulos que o mal é uma realidade, não é um símbolo ou uma invenção, mas é uma realidade no qual devemos lutar dentro do nosso coração e na sociedade em que vivemos. O mal no mundo não vem de Deus, mas do maligno que o semeou em meio ao bem. Por isso não devemos julgar as pessoas por suas atitudes más ou querer tirar o mal a qualquer custo colocando os “bons” de um lado e os “maus” de outro. Conforme a parábola, pode acontecer que fazendo isso, também coloquemos fora o trigo. De fato, só Deus conhece o coração humano, Ele olha cada ser humano com paciência e misericórdia, sabe esperar na certeza de que todo ser humano carrega em si um germe do bem capaz de fazer amadurecer.
O que cabe a cada um de nós é cultivarmos valores que nos ajudem a crescer enquanto cristãos. É desta forma que o mal é vencido. Quantas pessoas semeiam joio culpando os outros pelos seus erros, ou porque já se acostumaram com a corrupção e a maldade no mundo? Ser joio ou trigo é uma tarefa que depende de cada um de nós. Enquanto seres humanos, somos pessoas inacabadas, estamos a todo instante nos fazendo, nos cultivando. A grande mensagem que o Evangelho nos deixa é de nunca perdermos a capacidade de cultivar em nós o bem, os gestos de solidariedade, de justiça que nos configuram a Cristo, mesmo diante do mal que nos rodeia. Assim, seremos “semente e fermento” do Evangelho no mundo, esta é a lógica do Reino de Deus. Como nos ensina o Papa Francisco: “Importa cuidar do trigo e não perder a paz por causa do joio”.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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