ANO: 25 | Nº: 6261
22/07/2017 Segurança

Facção Zona Leste é desarticulada em operação Donatello I

Foto: Divulgação

R$10 mil em dinheiro e mais de quatro quilos de crack foram apreendidos
R$10 mil em dinheiro e mais de quatro quilos de crack foram apreendidos

Cerca de 90 agentes participaram da operação Donatello I (em uma alusão às expressões artísticas utilizadas pelos suspeitos), que desarticulou a Facção Zona Leste, na manhã de sexta-feira, 21. Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva, em diferentes pontos das cidades de Bagé, Pelotas, Porto Alegre, Charqueadas e São Leopoldo. Na Rainha da Fronteira, a operação foi desencadeada nos bairros Prado Velho, Damé e Santa Cecília. A polícia investigava os suspeitos de roubo (a residências e joalherias) desde novembro de 2016, após assalto a uma joalheria bajeense.
A operação reuniu policiais da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), do Setor de Inteligência e Pelotão de Operações Especiais (POE) da Brigada Militar, com apoio da Delegacia Regional de Polícia Civil, 1ª e 2ª DP, Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher, Delegacia de Dom Pedrito e Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe).
A facção clonava veículos e se ‘capitalizava’ (conseguia dinheiro) para fazer o tráfico de drogas, explicou o responsável pela operação, o titular da Defrec, delegado Cristiano Ritta. Os integrantes da quadrilha também realizavam assaltos a óticas e joalherias. “Eles tinham toda uma organização. Em 2014, prendemos, em Bagé, alguns membros, na Operação Van Gogh, onde eles planejavam um roubo ao Trilegal. Ainda sequestraram o gerente de uma óptica, no ano passado. A ideia era ficar com ele de refém até o outro dia. Dois acusados foram presos”, destaca.
O delegado revela que os acusados faziam vídeos de fora do local, ‘para saber horários e como agir’. “Depois enviavam (as informações) para o líder da facção, morador de Bagé, que está preso no Presídio Regional de Pelotas, Tiago Rafael Leges Ferreira, 31 anos. Ele é conhecido como Muchilão”, ressaltou, ao destacar que os integrantes ‘possuem tatuagens com o símbolo ZL entre duas letras TS em apologia ao líder Tiago’.
Ritta contou que foram apreendidas armas, munições, joias, celulares e cerca de R$ 10 mil em dinheiro. “Vamos submeter as joias à análise do Instituto Geral de Perícias, pois a facção organizou e executou, no mínimo, dois grandes assaltos, que foram nas duas ópticas Bagé, na Rainha da Fronteira, em 2014, e no dia 14 de julho deste ano, em Dom Pedrito, onde dois acusados foram presos e um deles estava foragido até hoje (ontem), quando foi preso”, destacou.
O delegado fala, ainda, que a facção tinha quatro carros clonados, que foram apreendidos na operação. “Eles usavam os veículos em assaltos para trazer drogas. Abandonavam o carro se fosse necessário, como ocorreu na BR-293, no dia 14, quando assaltaram a Óptica Bagé de Dom Pedrito. O trabalho deles funciona assim, assaltavam para juntar o dinheiro, comprar drogas e com o tráfico aumentar o padrão de vida. Em uma das residências encontramos um contrato de compra e venda de uma casa”, revela o coordenador da operação.


Organização

A facção Zona Leste foi criada no ano passado. Os membros possuem uma tatuagem com um ZL, conforme enfatiza o delegado Cristiano Ritta. “Essa quadrilha se aliou à facção ‘Os Manos’, do Vale dos Sinos, uma das maiores do Estado, com mais dinheiro e maior articulação no crime. Na Cohab há uma pichação, com números 14-18-12 (OSM), que o número da facção ’Os Manos’, e do lado diz Zona Leste, que é do Tiago (Muchilão). Quando ele foi para Pelotas se aliou com à facção ‘Os Tauras’, que colocaram uma carreta no Presídio Regional de Pelotas para facilitar a fuga de alguns apenados no ano passado. O líder sempre teve ligação com o ‘Pasteleiro’, que é o chefe da facção de Pelotas. E boa parte da droga dele vem dessa cidade”, detalhou.
A irmã do líder, uma adolescente também tem ligação com crimes, sendo apreendida na semana passada, por ter assaltado um antiquário no centro de Bagé. “Eles têm por hábito usar os familiares, para coordenar e executar o crime. Agora, a esposa do Tiago (Carla Giele da Silva Rosa, 28 anos) estava coordenando. Tinha uma prisão domiciliar em seu nome, pois já havia sido presa por tráfico de drogas e continuava gerenciando os crimes”, explicou Ritta.


Música proibida

A facção criou um funk, inspirado nas quadrilhas do Rio de Janeiro e de Porto Alegre. A música provoca o inimigo do grupo, também apenado por tráfico, Anderson Rivas Pereira, conhecido como ‘Palito’ – preso em abril do ano passado. A letra faz alusão aos líderes da facção, como o ‘Muchilão’, ‘Gordo Jean’ (Jean Carlos Vasconcellos da Luz) e ‘Mano Bagé’, que foi preso em 2014, na operação Van Gogh. Também na música são citadas as galerias do Presídio Regional de Bagé (PRB), a ‘Um’, primeira galeria, onde está o ‘Gordo Jean’, e anteriormente estava o ‘Tiago Muchilão’, e a ‘Dois’, segunda galeria, que seria dos rivais, onde está ‘Palito’, que é depreciada pelo cantor.


Presos

Em Bagé, foram presos, em flagrante a líder, esposa de ‘Tiago Muchilão’, Carla Gieli da Silva Rosa, 28 anos, conhecida também como “Cacá”; além de Lisandra Barcelos da Rosa, 19 anos, Jéssica Gonçalves Oliveira, 22 anos, Vanusa Salete Alves Soares, 20 anos e Tierre Alves Pereira, 30 anos, que já havia sido preso, pois seria um dos traficantes para o qual o líder, ‘Muchilão’, fornece droga.
As prisões preventivas de Maicon Lima Freitas, 22 anos, Carla Gieli da Silva Rosa, 28 anos, e Jiovane Rodrigues Cellas, 22 anos, conhecido como Secretário, também foram realizadas na Rainha da Fronteira. “Este último foi o que fugiu após o roubo à óptica em Dom Pedrito e abandonou o carro Fox, clonado, na BR-293. Ele é um dos responsáveis por trazer todas entregas de droga e cobrança do tráfico para os três principais do grupo, os líderes Tiago Muchilão, o “Gordo Jean” e Carla”, explicou o delegado.


Lideranças

Jean Carlos Vasconcellos da Luz, 22 anos, está preso no Presídio Regional de Bagé. ‘Muchilão’ está no Presídio Regional de Pelotas. Na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, está Reginaldo Nunes de Jesus, 37 anos, conhecido como ‘Parente’. Foi ele quem criou a denominação de Pintura para se referir aos ‘assaltos, pintores para designar os assaltantes e pincéis e espátulas para falar sobre armas.


Articulação

Presos no Presídio Estadual de São Leopoldo estão Johnatan de Miranda Celestino, 22 anos, e Aristalco Naltair Pozzedin Pons, 41 anos, conhecido como ‘Talquinho’. Celestino foi chamado por ‘Parente’ para o assalto à joalheria de Dom Pedrito. Ele perdeu o telefone celular, que subsidiou a investigação. No aparelho haviam diversos conteúdos sobre a chegada da Brigada Militar. Os agentes descobriram que eles ouviam, pelo rádio, na frequência da polícia. ‘Talquinho’, é bajeense, e também foi chamado por ‘Parente’ para participar no assalto.


Drogas

Em Bagé, os agentes ainda apreenderam mais de quatro quilos de crack, na residência de um dos investigados. Foi a maior apreensão da droga, em 2017. Também foram encontrados 50 gramas de cocaína, arma raspada e diversas munições.


BOX

Funk da Zona Leste

Curti hoje, Zona Leste
porque tarde pode ser amanhã
um salve pro Muchilão
um salve pro gordo Jean
mas vou falando assim então
sem neurose vou a pé
um salve aqui pro nosso mano
que tá emboladão, mano Bagé.
Mas vou falando em ti então,
Palito tu não se mete,
tamo fechadão então
com os manos da “Zona Leste”

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