ANO: 24 | Nº: 6108

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
24/07/2017 Caderno Minuano Saúde

O que é Doença Inflamatória Intestinal?

Foto: Divulgação

Ulcerações também podem causar sangramento
Ulcerações também podem causar sangramento

A doença inflamatória intestinal pode ser classificada como qualquer processo inflamatório do trato digestivo. Entre as causas conhecidas podem estar infecções, parasitoses, enterocolite actínica e isquemia. E entre as causas desconhecidas, temos, na sua grande maioria, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

A doença de Crohn pode acometer todo o trato digestivo, desde a boca até o ânus. Frequentemente está restrita ao intestino delgado, intestino grosso e região perianal. Caracteriza-se pela sua capacidade de ser transmural, isto é, atinge todas as camadas da parede intestinal.

A retocolite ulcerativa é caracterizada pelo processo inflamatório restrito ao cólon e superficial, isto é, atinge a mucosa e a submucosa intestinal. Outro fator que difere é o seu padrão contínuo de acometimento da inflamação no intestino.

Nesta edição, a médica coloproctologista, especialista pela Sociedade Brasileira de coloproctologia, Daiane Sonza Vidart irá explicar a Doença Inflamatória Intestinal (DII).


Alvo de atenção dos médicos

A Doença Inflamatória Intestinal (DII) tem se transformado em alvo da atenção de médicos epidemiologistas, clínicos e cirurgiões de várias especialidades, uma vez que, além das manifestações intestinais, se associa a manifestações extraintestinais diversas, sendo algumas das consequências mais graves que a própria doença intestinal, explica a médica. “As principais manifestações extraintestinais são as oftalmológicas, as dermatológicas e as reumatológicas”, ressalta.

As DII acometem geralmente adultos e jovens, explica a especialista em coloproctologia. “A incidência da DII vem aumentando progressivamente nos últimos anos no Brasil e no mundo. Infelizmente, como não é uma doença de notificação compulsória no nosso País, torna-se difícil quantificar a sua real prevalência e o aumento do número de casos nos últimos anos. Estima-se que o maior aumento seja principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Apesar da maior capacidade de diagnóstico da doença nos dias atuais, percebe-se nitidamente o aumento dos casos, sugerindo a participação de fatores ambientais ainda não identificados”, destaca Daiane.

A profissional alerta que as causas ainda são desconhecidas embora os cientistas desenvolvam pesquisas sobre o assunto. “A DII parece ser hereditária, pelo menos em parte. De fato, cerca de 20% das pessoas portadoras de DII têm alguém na família que também é portador”, esclarece a médica.

Porém, outros fatores podem estar envolvidos com a origem da doença, alerta Daiane. “Por exemplo, os especialistas acreditam que as pessoas portadoras de DII podem ter alguma deficiência no sistema imunológico. O sistema imunológico é um complexo de células e proteínas que protegem o corpo de bactérias, vírus e outros organismos microscópicos. Um vírus ou bactéria desconhecida pode ativar o sistema imunológico e, no indivíduo suscetível, tal sistema não mais desliga. Este parece ser o problema com as pessoas portadoras de DII: o sistema imunológico trabalha em excesso. Ao invés de defender você contra vírus e bactérias, ele se volta contra você e ataca os seus intestinos”, completa.

 

Tratamento da DII

Quem pode ter Doença Inflamatória Intestinal (DII)?

Pessoas de qualquer idade, desde crianças até idosos podem desenvolver a DII. Ela ocorre mais frequentemente em pessoas com idade entre 15 e 35 anos. A médica destaca que é importante saber que a doença não é contagiosa.

Como a DII pode ser tratada?

Por serem doenças crônicas, tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa requerem tratamento em longo prazo, argumenta a médica. “O tipo de medicação vai depender da gravidade da doença, da parte do intestino afetada, ou se há alguma complicação. Em geral, o objetivo do tratamento médico na DII é controlar a inflamação. Um indivíduo tem uma crise (atividade) e recebe o medicamento para reduzir a inflamação. Por ser uma doença crônica e sem cura, o portador da DII deve receber medicamento a vida toda para manter a doença em remissão (dormindo, sem atividade)”, acrescenta Daiane.

A coloproctologista informa que diferentes medicações são usadas no tratamento da DII, mas nenhuma delas vai curar a doença. “Elas vão apenas mantê-la sob controle. Este período de tranquilidade e controle da doença é chamado de remissão. Ele pode durar meses ou até anos”, afirma.

 

Quem precisará de cirurgia?

A médica explica que o tratamento medicamentoso é uma opção para os pacientes da DII, mas há situações em que a medicação não funciona. “Nestes casos, a solução é a cirurgia, pois ela pode controlar os sintomas que a medicação já não consegue controlar”, esclarece.  

Pode ser que a melhor solução para o paciente seja a retirada de parte do intestino, garante a médica. “Durante a cirurgia, o médico removerá a parte afetada do intestino e unirá duas partes saudáveis restantes (anastomose intestinal). Esse procedimento é chamado ressecção. Em alguns casos, outras cirurgias são necessárias para a retirada de partes doentes do intestino”, afirma.

Algumas vezes, a cirurgia é necessária apenas para remover um bloqueio ou obstrução no intestino, o que pode ser causado por uma inflamação grave, acrescenta Daiane. “As ulcerações também podem causar sangramento e, quando este sangramento não pode ser contido, a cirurgia é necessária para remover a parte afetada do intestino. Novas técnicas cirúrgicas podem ser usadas para resolver esses problemas de forma mais fácil, com incisões (cortes) cada vez menores, o que torna a recuperação mais rápida. Os pacientes sentem uma grande melhora após a cirurgia, quando bem indicada.”, conclui a especialista em coloproctologia.

 

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