ANO: 24 | Nº: 6137

Fernando Risch

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Escritor
28/07/2017 Fernando Risch (Opinião)

Da próxima vez, aclamem um patrono

No ano passado, fui indicado pela primeira vez a patrono da Feira do Livro. Não preciso dizer minha surpresa ao ter meu nome lembrado, visto meu brevíssimo tempo dentro da literatura. Na reunião que decidiriam os indicados, tive dois votos, sendo que não votei em mim mesmo. Os outros, tiveram 12, 15, 20 votos. Mas meu nome foi lembrado e pela primeira vez se fez uma escolha democrática do patrono.

Na época, a votação era feita por entidades voltadas à cultura e educação, e cada uma destas teria direito a cinco votos. No anseio da novidade, na empolgação do inesperado, falei com alguns amigos de algumas entidades que participariam do pleito a votarem em mim. De certa forma, senti-me sujo. Não parecia certo. Ser patrono de uma Feira do Livro é uma homenagem, um reconhecimento por um trabalho. Não seria certo eu requisitar isso. A votação ocorreu e eu não venci. Senti um misto de decepção e alívio.

Neste ano, o processo mudou. Uma comissão decidiu os nomes indicados e a votação segue, só que agora aberta à população. Ainda não é o ideal. Aliás, está longe do ideal. Qualquer processo democrático aberto, que visa homenagear alguém, pode facilmente ser maculado pelo espírito ruim de uma corrida eleitoral. Não creio que qualquer candidato fará uma campanha para si, no máximo, indicará o dia e o horário a amigos interessados em votar, mas, ainda assim, não parece certo.

Fui indicado novamente, ao lado de quatro amigos: Rodrigo Tavares, Francisco Botelho, Luiz Godinho e Eliéser Moura. E não faço desfeita por essa honra, mas ser postulante à posição de patrono não é o mesmo que candidatar-se a vereador. E ninguém pode se sentir espantado com minha posição. Deixei claro à organização do evento – diversas vezes – desde o ano passado e, inclusive, falo sobre isso em meu novo livro, “E cuidado com o sal”.

É claro que eu adoraria ser patrono um dia, é uma grande honra. Mas, hoje, entendo que há pessoas na minha frente, como Francisco Botelho, com um extenso histórico dentro da literatura e cuja classe e educação jamais o fariam sequer pensar em entrar em uma corrida pela posição (como creio que nenhum dos outros fará, como eu não farei). E talvez isso protele seu nome ano após ano, numa injustiça que só a história, quando lida nos seus autos, coloque-nos voltados à razão dos fatos para que nós percebamos o erro cometido.

Mas as regras estão aí para serem cumpridas e uma eleição ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 3, no Clube Comercial. Você, leitor, faça-se presente e escolha qualquer um dos candidatos, são todos pessoas maravilhosas. Mas fica aqui meu pedido para 2018, para a mesma comissão que decide os indicados; por merecimento, por história, por tema, por mercado, não importa a razão: aclamem um patrono e lidem com a escolha.

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