ANO: 25 | Nº: 6284

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
29/07/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Os sãos não têm necessidade de médico

“E sucedeu que, estando ele reclinado à mesa em casa, eis que muitos publicanos e pecadores, que tinham vindo, reclinavam-se à mesa junto a Jesus e seus discípulos. Os fariseus, vendo isso, diziam aos discípulos dele: por que vosso Mestre come com os publicanos e pecadores? Ele, porém, ouvindo, disse: os sãos não têm necessidade de médico, mas os que estão doentes. Ide e aprendei o que significa: ‘Misericórdia quero e não oferenda’, pois não vim chamar justos, mas pecadores”. (Mateus 9: 10-13)
Na obra “O Que é o Espiritismo”, Allan Kardec faz um resumo da Doutrina Espírita. Não apenas para os iniciantes, mas para os adeptos. Os primeiros porque a obra reúne as noções mais essenciais, e, os últimos, porque nela se encontram inseridos princípios que jamais devemos perder de vista.
Num diálogo estabelecido entre Allan Kardec e um padre, podemos extrair o pragmatismo do Codificador do Espiritismo, o respeito às demais crenças, à liberdade de pensamento, bem como o posicionamento do Espiritismo diante de Deus.
Vejamos um trecho do terceiro diálogo que se encontra inserto na obra suprarreferida e reflitamos:
“Primeiramente, devo declarar-vos que não procurarei, de nenhum modo, converter-vos à nossas ideias. Se desejais conhece-las detalhadamente, as encontrareis nos livros onde elas estão expostas. Lá podereis estuda-las com vagar e estareis livre para aceita-las ou rejeitá-las.
O Espiritismo tem por objetivos combater a incredulidade e suas funestas consequências, dando provas patentes da existência da alma e da vida futura. Ele se dirige, pois àqueles que não creem em nada, ou que duvidam, e o número deles é grande, como o sabeis. Aqueles que têm uma fé religiosa, e aos quais essa fé basta, dele não tem necessidade; àquele que diz: ‘eu creio na autoridade da Igreja, e me atenho ao que ela ensina, sem nada procurar além dela’, o Espiritismo responde que ele não se impõe a ninguém e não vem forçar nenhuma convicção.
A liberdade de consciência é uma consequência da liberdade de pensamento, que é um dos atributos do homem; o Espiritismo estaria em contradição com seus princípios de caridade e de tolerância, se ele não a respeitasse. Aos seus olhos, toda crença, quando sincera e não conduz o seu próximo erro, é responsável, mesmo que ela fosse errônea. Se alguém tiver sua consciência empenhada em crer, por exemplo, que e o Sol que gira, nós lhe diremos: crede se isso vos satisfaz porque não impedirá a Terra de girar; mas, da mesma forma que não procuramos violentar vossa consciência, não procurai violentar a dos outros. Se de uma crença, inocente em si mesma, fazeis um instrumento de perseguição, ela torna-se nociva e pode ser combatida.
(...)
O Espiritismo não se impõe porque, como eu disse, ele respeita a liberdade de consciência e sabe que toda crença imposta é superficial e não dá senão as aparências da fé, mas não a fé sincera. Ele expõe seus princípios aos olhos de todos, de maneira a que cada um possa formar uma opinião com conhecimento de causa. Aqueles que o aceitam, padres ou laicos, o fazem livremente e porque os acham racionais; mas não nos zangamos de nenhum modo com aqueles que não são da nossa opinião”.
(Referências: Haroldo Dutra Dias. O Novo Testamento. Tradução. FEB Editora. p. 67. Allan Kardec. O Que é o Espiritismo. IDE Editora. p. 69-70)

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