ANO: 25 | Nº: 6354
03/08/2017 Segurança

Com aumento de casos de homicídios, Bagé poderá ter delegacia especializada

Foto: Antônio Rocha

Maioria dos casos ocorreu em bairros da zona norte
Maioria dos casos ocorreu em bairros da zona norte

Os dados estatísticos da criminalidade no Rio Grande do Sul, divulgados, ontem, pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, revelam uma queda, pelo segundo trimestre consecutivo, nos índices de latrocínio. O balanço, para o primeiro semestre de 2017, aponta diminuição de 29% em relação ao mesmo período em 2016. Em Bagé, os latrocínios diminuíram, tendo em vista que, até junho deste ano, não foi registrado nenhum caso. No mesmo período do ano passado, haviam sido contabilizados dois registros. Já os homicídios aumentaram 60% em relação a 2016.
De acordo com o titular da Delegacia Regional de Polícia Civil, delegado Luis Eduardo Benites, os dados refletem a falta de oportunidades e de políticas públicas de prevenção. “Infelizmente, os números aumentaram entre os homens, jovens de 18 a 24 anos, em situação de vulnerabilidade social. Falta cultura, informação, políticas públicas para contemplar essa parcela da sociedade, por isso buscam consolo para este vazio nas drogas, na violência”, avalia.
Benites afirma que há, também, um sentimento de impunidade. “Consequência de ver que determinadas situações políticas ficam sem resoluções, não se tem referencial”, ressalta.
Há o aspecto positivo, conforme destaca o delegado Benites, que é a elucidação de 100% dos casos. “A parte da polícia judiciária é de elucidar os processos e enviar para o poder Judiciário. Todos estes oito casos foram encaminhados ao Ministério Público, com indiciados e elucidados. Acredito, ainda, que irá diminuir estes números, pois estamos mostrando que não estão impunes os responsáveis”, relata o titular da delegacia regional.
Com este aumento, o delegado regional diz que considera a possibilidade de ter, em Bagé, uma Delegacia Especializada em Homicídios. “Assim como temos uma especializada em entorpecentes, roubos, furtos e capturas (Defrec), é importante ter uma Delegacia Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)”, comenta.


Diminuição de latrocínios
Porto Alegre registra queda ainda maior nos latrocínios, chegando a 58,3%. Esses números são avaliados como positivos, pelo secretário de Segurança do Estado Cezar Schirmer. “Não foi apenas uma manutenção da curva descendente. Quase dobramos o percentual de queda em relação ao primeiro trimestre, onde já era observada redução. Um dado significativo, que demonstra a efetividade da estratégia que colocamos em prática”, ressalta.
O secretário cita o trabalho qualificado de investigação da Polícia Civil e o reforço no policiamento ostensivo como as principais causas da queda nos indicadores. Para Schirmer, latrocínios em queda influenciam diretamente na sensação de segurança. “É um crime que abala o cotidiano de uma comunidade. Os cidadãos, cientes que o cenário está mudando para melhor, possuem mais tranquilidade para seguir com a sua rotina”, avalia.


Ocorrências de abigeato reduzem 23,5%
Os casos de abigeato, uma das principais preocupações do setor produtivo gaúcho, reduziram em 23,5% no primeiro semestre de 2017. Foram 5.171 ocorrências no mesmo período do ano passado e 3.958 neste ano.


Roubos a banco diminuem na capital e no interior

Furtos e roubos a estabelecimento bancários também registraram queda em relação ao primeiro semestre de 2016. Os furtos, que incluem os arrombamentos a caixas eletrônicos, reduziram 43,2% em todo Estado e 55% em Porto Alegre. Os roubos diminuíram 2,6% em âmbito estadual e 33,3% na capital.


Homicídio doloso

Mesmo com a redução em quase todos os indicadores criminais, o crime de homicídio doloso registra alta de 7,9% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2016. O trabalho desenvolvido na capital, no entanto, se mostrou eficaz. Os índices em Porto Alegre apontam redução de 10,2%. “Muito disso se deve ao planejamento que elaboramos. Com o reforço dos novos servidores, queremos que os números do próximo trimestre sejam ainda melhores”, diz Schirmer.
O impacto da Operação Pulso Firme, que transferiu 27 criminosos de alta periculosidade para presídios federais, na última sexta-feira (28), deverá ser notado nos próximos meses. “O fim da comunicação dos líderes criminosos com suas facções deverá influenciar diretamente na redução dos homicídios. Cerca de 85% dos assassinatos no Rio Grande do Sul estão ligados, direta ou indiretamente, ao tráfico e ao consumo de drogas. Nesse contexto, a desarticulação da cadeia de comando é vital”, observa.

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