ANO: 25 | Nº: 6335

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
05/08/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Mãos limpas

“Deus fazia prodígios incomuns através das mãos de Paulo”. (Atos 19:11)
O cientista Darwin afirmava categoricamente que a natureza não dá saltos.
O Espiritismo, por sua vez, em seu tríplice aspecto, científico, filosófico e de consequências morais e religiosas, afirma que estamos todos imersos na Lei do Trabalho e, por consequência, na Lei do Progresso.
A passagem evangélica citada logo no início não diz que Paulo de Tarso fazia maravilhas, mas que Deus operava maravilhas extraordinárias através das mãos dele. Não se tratava de um eleito na criação Divina.
Para o espírito Emmanuel, “Deus fará sempre o mesmo, utilizando todos os filhos que lhe apresentarem mãos limpas”.
Podemos entender a expressão “mãos limpas” se nos debruçarmos sobre “O Livro dos Médiuns” de autoria de Allan Kardec.
Em dado ponto da referida obra, capítulo 20, item 227, encontramos a seguinte assertiva: “As qualidades que atraem de preferência os espíritos bons são: a bondade, a benevolência, a simplicidade de coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, e sensualidade e todas as paixões pelas quais o homem se apega à matéria”.
Estarmos com as “mãos limpas” significa, então, apresentarmos, verdadeiramente, as qualidades que atraem de preferência os espíritos bons, tais como bondade, benevolência etc.
Quanto custou ao apóstolo a limpeza das mãos?
O amigo da gentilidade fora rabino famoso em Jerusalém, movimentara-se entre elevados encargos públicos, detivera dominadoras situações; no entanto, para que o Todo-Poderoso lhe utilizasse as mãos, sofreu todas as humilhações e dispôs-se a todos os sacrifícios pelo bem dos semelhantes. Ensinou o Evangelho sob zombarias e açoites, aflições e pedradas. Apesar de escrever luminosas epístolas, jamais abandonou o tear humilde até a velhice do corpo.
Para que Deus possa “operar maravilhas” através das nossas mãos é imperativo que busquemos o burilar de nossas paixões, nos dediquemos a reforma íntima no objetivo de atingir sentimentos nobilitantes, bem como nos entreguemos ao ato sagrado da prece.
“Considera as particularidades do assunto e observa que Deus é sempre o mesmo Pai, que a Misericórdia Divina não se modificou, mas pede mãos limpas para os serviços edificantes, junto à Humanidade. Tal exigência é lógica e necessária, pois o trabalho do Altíssimo deve resplandecer sobre os caminhos humanos”. - Emmanuel

(Referências: Francisco Cândido Xavier. O Evangelho por Emmanuel. Comentários aos Atos dos Apóstolos. FEB Editora. p. 91. Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. Cap. 20. Item 227. FEB Editora)

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