ANO: 24 | Nº: 6186

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
05/08/2017 Marcelo Teixeira (Opinião)

Razões e contrarrazões

A má fama do mês de agosto se deve, entre outras razões, ao suicídio do gaúcho de São Borja, Getúlio Vargas. O suicídio do ex-presidente ocorreu em 24 de agosto de 1954 para tristeza de seus admiradores e surpresa geral da nação. Saiu da vida e entrou para a história como ele mesmo disse em sua carta-testamento. Cartas tentando explicar aquilo que para muitos é inexplicável, além de ser uma praxe entre os suicidas, deixa clara a premeditação do ato e costuma servir para responsabilizar ou isentar de responsabilidade outras pessoas. Muitas vezes revelam, também, que na verdade eles careciam mesmo é de atenção e consideração.
E essa corriqueira pretensão de notoriedade póstuma é exatamente o que torna este assunto quase proibido no meio jornalístico. Uma recomendação ética que tem sido bastante questionada nos últimos tempos, em função da relevância estatística dos suicídios quando comparados com outras causas de óbito que merecem mais atenção dos órgãos governamentais que cuidam da saúde pública.
É muito difícil resistir à tentação de refletir sobre o assunto visto que ainda é um grande mistério para a ciência e mais ainda para os leigos. Envolve questões religiosas, filosóficas, psicológicas, jurídicas etc, o que torna o debate sobre o tema sempre rico e instigante. Perquirir, especular, tentar entender as razões que levam alguém ao suicídio, proporciona ilações múltiplas.
Para mim, tudo começa com a dúvida se o suicídio seria um ato de coragem ou de covardia. Dúvida que surge, também, toda vez que vejo alguém renunciando a um grande e disputado cargo. Tanto o suicídio quanto a renúncia proporcionam uma espécie de contradição redundante, pois além de implicar numa contradição em si (rejeitar aquilo que foi ou é muito almejado), proporciona o confronto de razões igualmente contraditórias (coragem ou covardia).
O recente suicídio do vocalista do Linkin Park, Chester Bennington e a detenção do ator Fábio Assunção em um camburão da polícia militar pernambucana, visivelmente alterado pelo consumo de algum alterador de humor, deixaram muito claro que dinheiro, fama, talento, beleza, enfim, tudo aquilo estes dois tinham (ou tem) de sobra e que muitos almejam ou desejam como objetivo de uma vida, não é suficiente. A vida tem que ter sentido, tem que fazer sentido e estes dois eventos isolados revelaram, de forma inequívoca, que esse sentido certamente não está onde muitos pensam que está.
Não tenho a pretensão de indicar o caminho (pois é algo individual, muito pessoal) nem a vaidade de achar que encontrei o sentido da vida, mas tenho a convicção de ambos não estão fora, mas sim dentro de nós mesmos e se resumem na conquista da paz que só o amor é capaz de proporcionar e na revalorização das pequenas coisas que são, efetivamente, as mais importantes. Assim, paz e amor! Paz e bem!

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