ANO: 24 | Nº: 6058
09/08/2017 Segurança

Operação desarticula maior quadrilha de abigeato do Estado

Foto: Divulgação

Polícia Civil utilizou helicóptero e diversas equipes para chegar ao articulador das carneadas
Polícia Civil utilizou helicóptero e diversas equipes para chegar ao articulador das carneadas

A Operação Castelo foi deflagrada na manhã de ontem, pela Força-Tarefa de Combate aos Crimes Rurais e Abigeato da Polícia Civil, com o apoio da 18ª Região Policial (Pelotas) e 9ª Região Policial (Bagé). Foram cumpridos, pela Polícia Civil, sob a coordenação dos delegados Adriano Linhares, Márcio Steffens e Luis Eduardo Benites, 20 mandados de prisões e 18 mandados de busca e apreensão, em Pelotas.
Fruto de um ano de investigações da Força-Tarefa de Combate aos Crimes Rurais e Abigeato, a operação tem como alvo uma das maiores e mais bem estruturadas organizações criminosas de abigeato na forma de carneada do Rio Grande do Sul.
Conforme o delegado Adriano Linhares, responsável pela força-tarefa, ao longo de décadas, o grupo criminoso, hoje liderado pelo investigado Giovanni Fickel Bandeir, furtou milhares de cabeças de gado da metade Sul do Estado. Estima-se que apenas uma dupla de carneadores furtou mais de 700 animais nos últimos 12 meses; essa dupla era tratada por Giovani como "uma das minhas equipes".
Os policiais da força-tarefa acreditam que aproximadamente 1,5 mil animais, entre bovinos e ovinos, foram furtados pelo grupo criminoso no último ano. Sempre na forma de carneada e utilizando carros roubados, o bando se tornou um dos mais temidos dos produtores rurais da metade Sul do Estado. Com inúmeros ataques aos municípios de Bagé, Dom Pedrito, Candiota, Aceguá, Pinheiro Machado, Piratini, Jaguarão, Rio Grande, São Lourenço do Sul, Canguçu, Caçapava do Sul, Jaguarão, Lavras do Sul, Rosário do Sul, Cachoeira do Sul, entre outras, o bando costumava a ser chamado pelos produtores rurais de "Grupo dos Seis", isto por carnearem em média seis animais bovinos por vez.
A carne era levada pelos abigeatários para a cidade de Pelotas, onde a organização criminosa era sediada. No município, o acusado, que possuía várias ‘equipes de carneada’, repassava a carne furtada para açougues, lancherias, bares e restaurantes.
Durante as investigações, a força-tarefa chegou a flagrar pelo menos quatro equipes de carneadores da organização e recuperar 10 carros roubados, adaptados para transportar carne.
Entre os 20 mandados de prisão decretados pelo Poder Judiciário estão: carneadores, indivíduos que iam a campo realizar os furtos, empresários que receptavam a carne furtada, um advogado que auxiliava as ações do bando e um servidor público da Guarda Municipal de Pelotas, que além de realizar cobranças para o grupo também fornecia informações privilegiadas sobre barreiras da polícia aos criminosos.
A Polícia Civil vem realizando, através da força-tarefa, uma forte repressão a esta modalidade de crime, pois além de lesar indiretamente toda a população em razão da sonegação fiscal, tem duas vítimas diretas: quem perdeu os animais quando furtados e o consumidor final, porque passa a ser um potencial candidato a adquirir várias doenças graves, como o câncer. Os animais, muitas vezes vacinados recentemente, são carneados a campo, sem as mínimas condições de higiene.

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