ANO: 23 | Nº: 5718

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
09/08/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Sartori atrasa salários porque quer

Na semana passada, o secretário da Fazenda do governo Sartori alertou para o fato de que pela primeira vez era possível que o governo estadual deixasse de pagar a integridade do salário dos servidores durante o mês subsequente. Em agosto, a primeira parcela foi de apenas R$ 600. A ideia, como falamos muitas vezes, é ampliar a percepção da crise, mantendo coerência com a sua estratégia de superdimensionar os fatos negativos para legitimar políticas de desmonte do Estado e privatizações de estatais lucrativas e estratégicas.
Os argumentos do governador são falsos do início ao fim. Para se ter uma ideia, a folha de pagamento do Estado representa algo em torno de 65% da receita. Isso, já retirados os repasses obrigatórios para os municípios. Mais 10% da Receita, aproximadamente, é repassado para os outros poderes. Sobram, portanto, 25% da receita para cumprir com as obrigações dos serviços públicos e dos investimentos. Pode-se, discutir se esse valor é suficiente ou não para todos os compromissos, mas não se pode mentir para a sociedade que falta dinheiro para pagar o funcionalismo.
Ocorre que o atraso de salários é um símbolo forte. Vejam que a luta dos servidores, neste momento, não é mais pela recuperação salarial em relação à inflação, como já foi no passado recente. Hoje, os servidores lutam para ter o seu salário pago em dia, o que é uma redução para o mais baixo nível da luta reivindicatória. Isso também constrange o conjunto da sociedade, que ao ver os servidores na atual situação, já não se sente encorajada para reivindicações de serviços públicos com a qualidade necessária.
Sartori e seu governo, ao produzir essa política, rompem um compromisso ético com a sociedade e com o funcionalismo público. A verdade é que o seu governo não prioriza os salários em relação às demais despesas. Se o fizesse, poderia pagar os servidores e, depois, cumprir com os compromissos possíveis. Ainda mais agora que está desincumbido do pagamento das parcelas da dívida com a União por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mantida essa política trágica e depressiva, a tendência é que até o final de seu governo, Sartori acumule dois meses de atraso. O ciclo vicioso desta política que entende que o servidor público é um problema acaba por desconstituir os acúmulos alcançados por nosso Estado na qualificação dos serviços prestados à população. Afinal, a essência do Estado é a prestação de serviços. E a essência dos serviços públicos é o servidor público, que hoje passa, sob o comando de Sartori, pela pior fase da sua história como categoria.

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