ANO: 23 | Nº: 5813

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
12/08/2017 José Artur Maruri (Opinião)

A dívida de Paulo

“Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes”. (Romanos 1:14)
O versículo suprarreferido é de autoria de Paulo de Tarso, num de seus discursos sobre o Evangelho, sobre a caridade.
O Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, ao esmiuçar a frase proferida por Paulo, diz que “não há felicidade enquanto houver uma criatura humana derramando uma lágrima”, o que é lógico se considerar que a felicidade humana passa por todos, eis que todos somos filhos do mesmo Pai que é Deus.
Sermos filhos do Criador independe de crença, visto que Ele permanecerá existindo, ainda que Nele não creiam. Aliás, a Terra nunca deixou de girar na órbita solar, mesmo nos idos tempos em que a ciência dizia ser o contrário. Feito o “parentesis”, adentremos em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Allan Kardec ressalta que “toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna”.
Mais uma vez, vamos encontrar a felicidade atrelada ao conceito de caridade. E ninguém, além de Jesus, falou ou escreveu melhor sobre caridade que o já referido Paulo de Tarso, especialmente em I Coríntios, senão vejamos:
“Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até a ponto de transportar montanhas, e não tiver caridade, não sou nada (...)”.
Mesmo o Paulo, ainda assim, se dizia devedor. E assim se dizia, segundo Emmanuel, porque aquele que teve a dádiva de saber é devedor daquele que ignora. Porque aquele que adquiriu a luz é devedor daquele que se encontra provisoriamente nas trevas.
E, assim como Paulo, também somos devedores, de forma que somente conseguiremos pagar nossa dívida, com caridade, afetividade, com paciência, com abnegação, transferindo aos irmãos de jornada o pouco de luz que nós já podemos reter.
No entanto, se é nosso dever pagar com a caridade, que paguemos com a caridade ensinada pelo próprio Paulo, a caridade que está ao alcance de todos, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre; independente de crença. A verdadeira caridade que transcende o conceito de beneficência e penetra no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.
“Meus amigos, agradeçam a Deus, que vos permitiu gozar a luz do Espiritismo. Não porque somente os que a possuem possam salvar-se, mas porque, ajudando-vos a melhor compreender os ensinamentos do Cristo, ela vos torna melhores cristãos. Fazei, pois, que vos vendo, se possa dizer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa, porque todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que seja o culto a que pertençam”. – Apóstolo Paulo. Paris. Ano de 1860.
(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 15. FEB Editora. Haroldo Dutra Dias. Minutos com Emmanuel. FEB TV)

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