ANO: 23 | Nº: 5789
12/08/2017 Editorial

Uma questão de prioridades

O Brasil possui 1.720.756 quilômetros de rodovias, dos quais apenas 211.468 são pavimentados. Esse volume representa 12,3% da extensão total. De acordo com pesquisa da pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), a quilometragem atual reflete em uma baixa densidade de infraestrutura rodoviária. Estamos atrás, por exemplo, da China e da Rússia, quem têm de dimensões geográficas maiores. A qualidade melhorou. Mas ainda falta muito para alcançar um patamar ideal. Pelo menos é o que comprova um levantamento elaborado pela própria representação dos transportadores.
O estudo sobre o desempenho do transporte rodoviário, que avalia a infraestrutura e investimentos públicos no setor, divulgado na quinta-feira, revela que o estado das rodovias federais brasileiras melhorou 24 pontos percentuais, passando de 18,7%, com classificação ótimo ou bom, em 2004, para 42,7%, em 2016. A primeira análise da série histórica da Pesquisa CNT de Rodovia destaca, por outro lado, que, apesar da evolução da qualidade, 57,3% das estradas públicas analisadas ainda apresentam condição inadequada ao tráfego. A maior parcela, portanto, ainda é intransitável.
O resultado do trabalho desenvolvido pela Confederação é muito claro, quando estabelece relação direta entre a qualidade das rodovias brasileiras e os investimentos federais em infraestrutura rodoviária. O estudo, aliás, menciona números oficiais para embasar a posição. O levantamento identificou que, em 2011, por exemplo, ano em que a União investiu o maior valor no setor (totalizando R$ 15,73 bilhões), o percentual de rodovias consideradas ótimas ou boas foi de 41,3%. Em 2004, quando houve a menor aplicação de recursos (pouco mais de R$ 3,9 bilhões), apenas 18,7% das rodovias tiveram avaliação positiva. A alteração do cenário depende, portanto, da revisão de prioridades, no que compete ao planejamento de aplicação dos recursos.

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