ANO: 25 | Nº: 6330

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
14/08/2017 Caderno Minuano Saúde

Doenças respiratórias e alimentação

Foto: Divulgação

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Uma boa alimentação rica em vitaminas contribui para fortalecer as defesas do organismo e evitar as doenças respiratórias, comuns nesta época do ano. Além da vitamina C, outros nutrientes ajudam a  fortalecer o organismo.

A alimentação influi mais do que se pode pensar no aparelho respiratório. Certos alimentos como leite e ovos, podem desencadear crises asmáticas; outros, como a cebola e o alho, combatem a bronquite; as frutas e hortaliças ricas em betacaroteno protegem contra o câncer de pulmão. As melhores fontes são os vegetais e frutas de forte tom amarelo/laranja e os vegetais de folhas verde-escuras:

- Vegetais amarelos/cor de laranja – cenouras, batatas-doces, abóboras.

- Frutas amarelas/cor de laranja – melões, papaias, mangas, carambolas, nectarinas, pêssegos

- Vegetais de folhas verde-escuras – espinafres, brocolis, endívias, couve, chicória, escarola, agriões e as partes verdes de linho, nabos, mostarda, dente de leão.

Outras boas fontes: vegetais e frutas – abóbora menina, aspargos, ervilhas, ginjas, ameixas.

Uma pesquisa realizada na Inglaterra e no país de Gales mostrou que as crianças que ingeriam duas ou mais frutas por dia, respiravam melhor e apresentavam menor risco de sofrer dispneia (dificuldade respiratória); ao contrário das que consumiam carnes processadas (presunto, embutidos como linguiça, salsicha, hambúrguer) que tinham a função pulmonar piorada.

Nesta edição, a nutricionista, especialista em esporte Ana Paula Pereira fala sobre a alimentação adequada para evitar doenças respiratórias e o  médico oncologista do Hospital do Câncer Mãe de Deus, Fabiano Souza, explica a mudança da dieta para pacientes com câncer de pulmão.

 

 

Alimentos amigos dos pulmões

A nutricionista Ana Paula Pereira indica diversos alimentos. Entre eles estão:

Vegetais crucíferos: são os vegetais da família do repolho. Eles possuem grandes quantidades de antioxidantes, que ajudam a limpar o corpo de toxinas prejudiciais. Também contêm glucosinolatos - compostos químicos que que ajudam a inativar agentes cancerígenos e proteger as células contra danos. Os melhores exemplos de vegetais crucíferos são brócolis, couve-flor, repolho e couve-de-bruxelas.

Carotenoides: este pigmento antioxidante reduz o risco de câncer do pulmão. Uma maneira de reconhecer um carotenoide é pela cor: os carotenoides são normalmente encontrados em frutas e legumes com tons alaranjados, vermelhos ou amarelos. Por exemplo, batata-doce, abóbora, cenoura e damascos são alimentos com quantidades elevadas de carotenoides. As cenouras são, particularmente, boas para os pulmões, pois também contêm betacaroteno, que se converte na vitamina A, que reduz significativamente a probabilidade de se desenvolver asma.

Ácidos graxos Ômega-3: é bem sabido que este ácido graxo é bom para a saúde geral. O que é menos conhecido é que ele beneficia os pulmões. É encontrado no peixe, castanhas e sementes de linhaça, e pode melhorar a função pulmonar e aumentar a capacidade do pulmão, reduzindo a inflamação das vias respiratórias.

Alho: é essencial para manter um sistema imunológico saudável, pois é um anti-inflamatório natural. Recentemente, um estudo da revista Cancer Prevention Research revelou que comer alho cru duas vezes por semana diminui pela metade o risco de desenvolver câncer de pulmão. O alho também tem altos níveis de alicina, um antibiótico natural que combate infecções bacterianas e fúngicas nos pulmões.

Gengibre: essa raiz é um poderoso antioxidante e anti-inflamatório natural que pode limpar os pulmões de qualquer tipo de poluição persistente. O gingerol reduz o excesso de muco sendo produzido, enquanto o composto 6-shagaol evita que os brônquios encolham. O gengibre também relaxa os tecidos nos músculos que revestem os pulmões, facilitando a respiração de pessoas com asma. Fatias de gengibre podem ser adicionadas ao chá, e também fazem deliciosos biscoitos.

Magnésio: alimentos como sementes, castanhas ou grãos são ricos neste mineral. O magnésio é um anti-inflamatório natural que aumenta a capacidade pulmonar e melhora a eficiência do processo respiratório. É recomendado para asmáticos e para as pessoas com doenças pulmonares obstrutivas crônicas.

Romã:  rica em antioxidantes e antocianinas, dois nutrientes que combatem o câncer. Estudos revelam que essa combinação é particularmente eficaz em retardar o crescimento e a disseminação de células cancerígenas prejudiciais. As sementes da romã adicionam um ótimo sabor a saladas ou podem ser usadas para fazer um suco delicioso.

Vitamina C: essa vitamina é encontrada abundantemente em goiabas, laranjas, kiwis e pimentões. Uma dieta rica em vitamina C ajuda seus pulmões a transportar oxigênio pelo corpo. Estudos sugerem que, com o consumo regular de vitamina C, a saúde dos seus pulmões irá deteriorar-se a um ritmo mais lento e você vai estar menos propenso a desenvolver doenças respiratórias, como bronquite e asma. Ela também previne a ocorrência de doença pulmonar obstrutiva crônica, que provoca falta de ar.

Abacaxi: abacaxis são ricos em bromelina, uma enzima que reduz a inflamação dos seios da face. É também um tratamento natural de edemas pulmonares - uma condição que previne que fluidos sejam drenados adequadamente dos pulmões, resultando em falta de ar. Pesquisas mostram também que a ingestão de alimentos ricos em bromelina reduz a inflamação de glóbulos brancos em até 85%.

Água: sabemos que a água é sempre recomendada para uma boa saúde, mas, muitas vezes, é também o melhor remédio natural para os pulmões. Ajuda no processo circulatório, mantendo os pulmões suficientemente hidratados e prontos para eliminar toxinas. 

O zinco, encontrado no feijão e nas lentilhas, além de fortalecer o organismo combate infecções. O selênio atua na defesa do organismo e é encontrado nas castanhas, nozes e no peixe.

 

Curiosidade:

Ana Paula destaca que estudos realizados pelo Health Sciences Institute (Instituto de Ciências e Saúde dos Estados Unidos) revelam que a graviola tem ação citotóxica em células cancerígenas, principalmente as que se localizam no pulmão, ou seja, são capazes de inibir a formação de tumores nessa região. 

Segundo eles, isso se dá porque o acetogenino é um dos mais eficazes inibidores do Complexo I, responsável pela formação e transporte de elétrons, que fazem parte da composição de tumores. Diversos estudos têm sido realizados para comprovar a real eficácia dessa fruta. “A prática de exercícios físicos, o equilíbrio emocional e a atividade mental, aliados a uma boa alimentação, também ajudam a fortalecer o sistema imunológico”, conclui a especialista.

 

 

Substituir dieta rica em gordura saturada por gordura poli-insaturada pode proteger do câncer de pulmão

Estudo publicado online na revista Journal of Clinical Oncology sobre o papel da alimentação no câncer pulmonar destaca que a alta ingestão de gordura poli-insaturada diminuiu o risco da doença. “Nesta semana, fomos positivamente surpreendidos com a publicação sugerindo uma inédita associação entre a ingestão de gordura saturada na dieta e a neoplasia pulmonar”, afirma o Dr. Fabiano Souza, médico oncologista do Hospital do Câncer Mãe de Deus.

Os quase 1,5 milhão de participantes do trabalho foram agrupados de 10 estudos diferentes. Comparando as pessoas que mais consumiram gordura saturada com aquelas com a menor ingestão, os pesquisadores encontraram um aumento de 14% do risco de câncer pulmonar. Quando são analisados somente os fumantes atuais versus não fumantes e ex-fumantes, o aumento do risco chega a 23%.

Outro resultado interessante é o fato de que a alta ingestão de gordura poli-insaturada diminuiu o risco da neoplasia pulmonar. “Uma substituição de somente 5% da gordura saturada pela poli-insaturada foi associada a redução entre 16% a 17% de risco de câncer de pulmão de diferentes tipos histológicos. “Tal substituição parece algo factível de ser realizada pelas pessoas se houver orientação profissional”, comenta o Souza. “Apesar de o estudo não ser a palavra final para estabelecer esta associação como definitiva, os resultados estão alinhados com outras pesquisas na área, que sugerem o malefício das gorduras saturadas e um benefício das gorduras poli-insaturadas na dieta”, completa o especialista.

O oncologista destaca que o combate ao tabagismo continua como prioridade para prevenir o câncer de pulmão. “Mas, agora, podemos recomendar também uma pequena substituição da gordura saturada para a poli-insaturada, principalmente para os fumantes, como mais uma estratégia preventiva", afirma. A relação entre a ingesta alimentar de gordura e o risco de desenvolver câncer tem sido relatada nos últimos anos.

Os especialistas têm encontrado crescentes evidências de que o tipo de gordura ingerido pode ser mais importante para o excesso de risco de câncer e outras doenças crônicas do que a quantidade total de gorduras ingeridas. Já é conhecido que é preciso evitar ao máximo a ingestão de gordura trans de alimentos processados como biscoitos e salgadinhos. A substituição da gordura trans e da gordura saturada para as poli-insaturadas reduz o risco cardíaco dos indivíduos.

O médico observa, porém, que para diminuir o risco de câncer, o papel desta substituição de gorduras saturadas para poli-insaturadas é ainda bastante controverso. Enquanto alguns estudos científicos encontraram associação entre o consumo de grandes quantidades de gordura e o risco de câncer, outros não confirmaram esses achados. No caso do câncer de pulmão, o maior fator de risco disparado é o tabagismo. Outros fatores são a radiação ionizante, asbestos e metais como o níquel e arsênico. No entanto, pouquíssimos estudos até o momento tinham avaliado de forma consistente o papel da alimentação no desenvolvimento do câncer pulmonar.

As estimativas do Instituto Nacional de Câncer, para 2016/2017, são de cerca de 28.220 novos casos de câncer de pulmão (17.330 em homens e 10.890 em mulheres) no Brasil. A doença é a principal causa de morte por câncer entre homens e mulheres.

 

 

 

 

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