ANO: 26 | Nº: 6590
16/08/2017 Editorial

Mais do que gestão

O desafio parece simples. E o que complica não é apenas o prazo. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou, no início da semana, que a pasta pretende informatizar todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do País até 2018. Serão, portanto, menos de 18 meses de muito trabalho, tendo em vista que cerca de 15 mil UBS são informatizadas atualmente, e a projeção é de que mais 27 mil sejam integradas ao sistema até o final do próximo ano. A pressa para o cumprimento da meta é compreensível, do ponto de vista econômico, mas não pode subverter uma premissa básica do setor.
O governo estima economizar algumas dezenas de bilhões de reais por ano com a medida. Barros declarou, aliás, que o Brasil gasta ‘R$ 50 bilhões sem necessidade’, em uma referência aos valores investidos com tratamentos de doenças, não em pesquisa, por exemplo. A meta, portanto, é direcionar os recursos para a prevenção. Na prática, porém, esta solução vai demandar aportes generosos e um planejamento rigoroso, por parte dos gestores que atuam no setor, sobretudo para manter a segurança das informações.
O Brasil possui 42.488 UBS em funcionamento. Ocorre que apenas 35,7% das unidades enviam dados por meio do Prontuário Eletrônico dos pacientes. O ministério lançou uma consulta pública, em julho, para identificar empresas que estariam dispostas a se credenciar ao desafio. Através do modelo de gestão, que vai facilitar o acesso aos dados do cidadão, a pasta pretende cadastrar digitalmente todas as informações dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida representa, de fato, uma solução, no campo da administração. Ela precisa garantir, entretanto, a manutenção do sigilo de dados pessoais.

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