ANO: 25 | Nº: 6381

Fernando Risch

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Escritor
18/08/2017 Fernando Risch (Opinião)

Erga-se contra o fascismo

Na mundo ultracomunicativo em que vivemos, uma das grandes discussões que se trava é até onde a liberdade de expressão pode ir. Até onde uma opinião pode ser respeitada e até onde certos assuntos podem ser discutidos. Uns creem que não há limite e cada um faz o que quer, assumindo as responsabilidades; geralmente, quando estes chegam ao discurso de ofensa, querem se eximir da culpa, alegando que o mundo, num direito adquirido, lhe dá liberdade para tal.

Eu respondo onde está o limite: está no discurso apresentado. Qualquer ideia pode ser debatida, assumindo que ambos os lados de uma matéria podem ter razão e que um meio termo, uma concessão, possa ser feita para aparar as farpas de um assunto. Sim, isso é verdade, até o ponto em que o discurso de um dos lados seja de ódio, discriminação, preconceito, xenofobia e violência. Neste caso, não existe diálogo. Não se conversa com fascistas.

A humanidade tem lições suficientes para aprender o que uma ideologia discriminatória pode fazer. Parecia que tínhamos aprendido, mas o ciclo atual do planeta terra, em que a extrema-direita reaparece mostrando a face e sem medo de ser preconceituosa, mostra que apenas conseguimos aprisionar os racistas e xenófobos num armário para lá de Auschwitz e do Alabama.

Em pleno 2017, o mundo vê atônito os movimentos neonazistas e de supremacia branca marcharem nos Estados Unidos, sob alegação de que eles têm o direito de se expressar. De fato, eles têm esse direito. E aqueles, como eu, contrários a esse discurso de ódio, de racismo, têm o direito de reagir a isso no mesmo tom, na mesma força, na mesma intensidade.

A Alemanha no pós-Segunda Guerra soube curar suas feridas e mostrar ao mundo que eles não eram aquilo e que não esqueceriam o que aconteceu e fariam o mundo não esquecer. Os campos de concentração estão exatamente no seu lugar, com marcas de unhas em câmaras de gás, para que quem os visite saiba o que aconteceu exatamente ali e quem perdeu a vida em um dos maiores genocídios da história.

Um grupo supremacista branco ou neonazi funciona a partir da intimidação. Eles são terroristas, propagam o medo e o ódio. Querem que negros, judeus e estrangeiros sejam exterminados e aqueles que se mantiverem vivos, se escondam em vielas escuras longe do alcance dos seus olhos e de suas vidas arianas.

Assim, a única maneira de combater o fascismo dos tempos é lhes impondo o mesmo medo, a mesma sensação de insegurança. É paradoxal, mas contra grupos de intolerância não se pode ter tolerância. Se formos tolerantes com intolerantes, consequentemente, a intolerância prevalecerá com o tempo. Então, sim. Temos que enfrentar esse paradoxo e não tolerar quem pratica a intolerância.

A ascensão da extrema-direita no mundo tirou do armário a pior espécie de ser humano. Está na hora de expô-los e coloca-los de volta ao armário. De fazer com que seus rostos sejam mostrados para que todos possam ver, até eles terem vergonha de serem o que são: doentes. Não se esqueça: fascismo não é ponto de vista nem opinião para que seja um posicionamento a ser respeitado. Não se discute com fascista. Erga-se e lute.

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