ANO: 25 | Nº: 6333

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
19/08/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Erguer e ajudar

“Dando-lhe as mãos, levantou-a (...)”. (Atos – 9: 41)
É quase unanimidade de que os dias atuais estão cheios daqueles que muito falam, no entanto, na hora da ação, ocultam-se.
O versículo inserto em Atos, citado logo no início, traz significativa lição, quando Pedro restaura a irmã Dorcas para a vida. Ele não se contenta em pronunciar lindas palavras aos seus ouvidos, renovando-lhe suas forças, ele dá as mãos para que ela se levante.
Segundo o Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, na obra Fonte Viva, “o sermão é, realmente, um apelo sublime, do qual não prescindiu o próprio Cristo, mas não podemos esquecer que o Celeste Amigo se doutrinou no monte, igualmente no monte multiplicou os pães para o povo esfaimado, restabelecendo-lhe o ânimo”.
Também, no Evangelho encontramos lição dada a um doutor da lei que tentara o Cristo. No discurso, Jesus discorre sobre o “bom samaritano” que baixava de Jerusalém a Jericó e caíra nas mãos dos ladrões ficando à beira do caminho. Na oportunidade, um sacerdote e um levita, ambos detentores dos saberes teóricos e profícuos utilizadores do verbo, deixaram o necessitado ao longo do caminho passando ao largo. Por outro lado, o “bom samaritano”, que era visto pelos demais como inferior, parou para ajudar o necessitado, atou as feridas, lançou azeite e vinho e ainda o carregou até uma estalagem próxima. Lógico que quem agiu tocado de compaixão e aplicou os princípios de amor e caridade foi o Samaritano, determinando, Jesus, ao doutor da lei, que seguisse e fizesse o mesmo que o Samaritano.
Jesus, na palavra de Allan Kardec, coloca o Samaritano, considerado herético, mas que tem amor ao próximo, acima do ortodoxo, a quem falta caridade. Enquanto falam, alguns fazem, e fazem com amor.
O escritor Paulo Coelho, em texto publicado pelo portal G1, citou a figura de Albert Schweitzer (1875-1965), médico e filósofo, que viajou para a África em 1913, resolvido a dedicar o resto de sua vida ao trabalho junto às tribos do Gabão. Um ano depois de sua viagem, estourou a Primeira Guerra Mundial, e ele foi procurado por representantes do movimento pacifista que pediam que voltasse para a Europa, a fim de ajudá-los a combater a guerra.
“Estou fazendo o possível para ajudar”, respondeu Schweitzer. “Estou aqui, lutando contra a miséria”. “Mas, e a humanidade?”, perguntou a comissão de representantes. “Esta é a humanidade”, respondeu Schweitzer, apontando para seus doentes. “Isto é o que posso fazer, e representa mais do que discursos de paz. Se eu aliviar a dor de alguns poucos, toda a raça humana se sentirá melhor”.
É imprescindível que usemos nossas mãos nas obras do bem. Como bem disse Emmanuel, “esforço dos braços significa atividade pessoal”.
“Encontrando o nosso irmão, caído na estrada, façamos o possível por despertá-lo com os recursos do verbo transformador, mas não olvidemos que, para trazê-lo de novo à vida construtiva, será indispensável, segundo a inesquecível lição de Pedro, estender-lhe fraternalmente as nossas mãos”. - Emmanuel

(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 15. FEB Editora. Francisco Cândido Xavier. O Evangelho por Emmanuel. Comentários aos Atos dos Apóstolos. FEB Editora. p. 63-64. Portal G1. http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2011/12/12/agir-ou-falar-2/Acesso em 18/08/2017)

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...