ANO: 25 | Nº: 6310
19/08/2017 Fogo cruzado

"Quem decide o tamanho do Estado é a sociedade", defende Jairo Jorge

Foto: Tiago Rolim de Moura

Artur Alexandre Souto, Augusto Lara e Jairo Jorge, durante coletiva, na Câmara de Vereadores
Artur Alexandre Souto, Augusto Lara e Jairo Jorge, durante coletiva, na Câmara de Vereadores

O ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge, que pode disputar o Palácio Piratini pelo PDT, em 2018, cumpriu agenda, em Bagé, na sexta-feira, defendendo uma revisão na abordagem do governo em relação à crise. “Precisamos substituir o pessimismo por otimismo. É necessário olhar para o futuro”, defende.
Jairo Jorge, 54 anos, é jornalista. Ele iniciou sua trajetória política na década de 1980, pelo PT. Trabalhou na prefeitura de Porto Alegre, com Tarso Genro, em 2001, e foi ministro interino da Educação, em 2004. Em 2006, assumiu a pró-reitoria da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Governou o município de Canoas entre 2009 e 2016, quando deixou o PT, ingressando no PDT.
Nas agendas pelo interior do Estado, que incluiu a Campanha gaúcha, na última semana, o Jairo se apresenta como pré-candidato ao governo do Estado, reunindo apoio e colhendo demandas locais. O PDT, na prática, deve definir, oficialmente, sua pré-candidatura apenas no dia 5 de outubro. Ocorre que o ex-prefeito de Canoas, de fato, é o único nome em cena na sigla.
Em Bagé, o pedetista conversou com lideranças políticas e sindicais, salientando que tem uma posição clara em relação ao propagado ‘tamanho do Estado’, que envolve a venda ou transferência de empresas. “Quem decide não é um partido ou um governador. Quem decide o tamanho do Estado é a sociedade”, defende, fazendo alusão ao dispositivo constitucional, incluído na legislação estadual por Vieira da Cunha, do PDT, estabelecendo o plebiscito como condição para privatizações.
Atento à pauta sobre o futuro de companhias públicas, aliás, que deve ganhar espaço no período eleitoral de 2018, Jairo é enfático ao sustentar que ‘toda empresa estratégica precisa estar sob controle do Estado’. “Hoje, na área da distribuição de energia (em relação à CEEE), estamos rumando para um monopólio. Temos que ter uma empresa reguladora, pública, com boa gestão. Não elegemos um governador para ser leiloeiro. Elegemos para governar”, opina.
O pedetista também tem uma posição definida sobre o Banrisul, classificando o banco como ‘necessário, em um momento de crise financeira’, e uma visão clara com relação à Companhia Riograndense de Mineração (CRM), que mantém sua maior mina em Candiota. “O carvão é um sonho para os gaúchos. Temos ativos que até hoje não foram utilizados. Houve avanço na tecnologia. Então vamos fazer a discussão sobre a utilização com a sociedade”, diz.


Vontade popular
Jairo Jorge é contra as privatizações, mas garante que decisões populares devem ser respeitadas. “É o povo que tem que decidir. Se por ventura, a sociedade, definir que alguma empresa não é mais estratégica, vamos cumprir rigorosamente a vontade popular. Mas, diferente do que foi feito no passado, vamos criar um fundo específico para educação. Se formos eleitos, diante desta conjuntura, vamos investir no futuro. E isso significa investir na educação. Não vamos jogar pelo ralo dinheiro proveniente de uma eventual venda de ativos”, adianta.


Gestão fiscal
O modelo de governo defendido pelo pedetista rechaça a ideia ‘de vencidos e vencedores’. Jairo Jorge foca na união. “Defendo uma visão propositiva, não o discurso que trata a situação (financeira das contas públicas) como se estivéssemos na insolvência. Temos que inverter esse olhar. Não quero passar a ideia de que é fácil superar a crise. Mas passo duas certezas. Primeiro a de que tem solução. E segundo a de que não adianta usar os velhos caminhos, que só vão nos levar a lugares que já conhecemos. Temos que inovar no tratamento desta questão”, salienta.
A inovação, para o representante do PDT, passa pela revisão dos incentivos fiscais concedidos a grandes empresas e à reestruturação de setores da administração pública. “Hoje temos uma estrutura arcaica. Não temos inteligência fiscal. O Paraná, por exemplo, tem o dobro de auditores, tem capacidade de apuração e investigação. Tem inteligência fiscal. Nós adotamos um caminho inverso, aumentando impostos. Com isso, aumentamos a sonegação”, avalia, ao adiantar que defende, como primeira ação de governo, a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS).


Prioridade
“Parcelar e arrochar salários não é o caminho”, garante o pedetista, ao salientar que ‘a prioridade de um governador deve ser fazer com que sua força de trabalho funcione’. “Não existe educação sem professores, nem segurança sem brigadianos ou policiais civis. A prioridade número um é pagar em dia os funcionários”, analisa.


Demandas
Durante a agenda em Bagé, reforçou a defesa pela implantação do curso de medicina na cidade. O líder da bancada pedetista na Câmara de Bagé, vereador Augusto Lara, que preside a comissão especial criada pela Casa para tratar da proposta, adiantou que o colegiado terá uma agenda, em Brasília, no final do mês, para articular, junto ao Ministério da Educação, a inclusão da Campanha gaúcha em um edital para criação de novos cursos. O pré-candidato pedetista também declarou apoio à proposta de instalação de uma delegacia de investigação de homicídios na Rainha da Fronteira.

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