ANO: 25 | Nº: 6360

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
26/08/2017 José Artur Maruri (Opinião)

As indagações de Saulo

Em meio à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência que se estende até o dia 28 de agosto, é impossível não deixar de citar a situação de dificuldade enfrentada pela União Espírita Bajeense – Caminho da Luz, Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e Associação dos Deficientes Visuais, no âmbito do Município de Bagé.
As instituições vêm sofrendo com a não renovação de convênios, em vista da falta de preparo do Município de Bagé para a entrada em vigor da Lei Federal nº 13.019/2014, o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.
Apesar de a Lei ser de 2014, ela entrou em vigor apenas no ano de 2016, justamente para que o Poder Público pudesse se preparar no período de dois anos, o que não ocorreu, pelo menos em Bagé, já que adentramos no mês de agosto e nada foi solucionado.
Obviamente, quem perde são os assistidos dessas instituições que prestam serviço de grande relevância, uma vez que sem elas, o Poder Público não teria a capacidade de absorver uma imensa demanda que vai sendo deixada de lado, paulatinamente.
O sofrimento das direções das instituições com a falta de recursos financeiros para que se dê continuidade ao trabalho com dignidade traz à memória o sofrimento de Paulo de Tarso, após sua conversão nos portões de Damasco – Saulo.
O amigo dos Gentios, após sua conversão foi, por diversas vezes, humilhado, vilipendiado, destratado, perante as autoridades constituídas do Judaísmo.
Quando se encontrou sem ter a quem recorrer, buscou seu pai, o velho Isaque, que por estar com um farisaísmo ainda bastante arraigado não lhe abrigou, fazendo com que partisse, apenas com algumas moedas que foram entregues a Saulo por intermédio de um empregado.
Situado em cena lamentável e sem ter para onde ir, Saulo se refugiou numa caverna próxima de Tauro (cidade) para passar a noite e chorar. Na oportunidade, teve a visita do grande amor de sua vida, o Espírito de Abigail que estava junto do Espírito de Estevão, ambos resplandecentes de luz.
Após grande emoção, mentalmente, Saulo elucubrou alguns questionamentos, os quais não são diferentes dos que as instituições fazem em suas reuniões internas, diante da falta de apoio para que se continue com os empreendimentos em favor das pessoas com deficiência, em favor do Cristo.
Findamos com o diálogo entre Saulo e Abigail, no intento de forçar a reflexão.
“Que fazer para adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo? – Ama! – respondeu Abigail, espontaneamente.
(...) Como fazer para que a alma alcançasse tão elevada expressão de esforço com Jesus Cristo? – Trabalha! – esclareceu a noiva amada, sorrindo bondosamente.
(...) Que providências adotar contra o desânimo destruidor? – Espera! – disse ela ainda, em gesto de terna solicitude, como quem desejava esclarecer que a alma deve estar pronta a atender ao programa divino, em qualquer circunstância, livre de caprichos pessoais.
(...) Como conciliar as grandiosas lições do Evangelho com a indiferença dos homens? Abigail apertou-lhe as mãos com mais ternura, a indicar as despedidas, e acentuou docemente: - Perdoa!...”
(Referências: O Evangelho por Emmanuel. Comentários aos Atos dos Apóstolos. Apêndice. Paulo em Tarso. FEB Editora. p. 531-532)

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