ANO: 25 | Nº: 6280

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
26/08/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Quem é Jesus Cristo para nós?

Convivemos no dia a dia, influenciados, condicionados pelos meios de comunicação social por chavões tipo: "sempre foi assim", "não adianta fazer nada", "Deus quis que assim acontecesse", é o destino; aceitando as verdades que nos são ditas, sem reagir, sem questionar, inclusive diante de ideias e imagens de Deus apresentadas para que sejam garantidas situações de injustiças, maldades, de ordem política, econômica, social e cultural.
No Evangelho deste domingo (Mt 16,13-20) Jesus desafia os seus ouvintes a responder o que pensam dele e de sua missão: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? E vós, quem dizeis que eu sou?”.
Não podemos cristalizar as nossas respostas e perguntas, repetindo sempre o que alguns grupos ou pessoas querem que façamos. Como cristãos precisamos nos questionar com toda humildade e sinceridade: como nos relacionamos com Deus? Qual Deus? Que imagem, ideia temos ou fazemos daquele que chamamos Deus? Quem é Jesus Cristo para mim, para nós? É alguém que atende aos meus pedidos porque estou engajado na Igreja e que deixa pessoas de outras religiões morrerem por causa da fome, da guerra e da violência?
A imagem que temos de Jesus influencia diretamente a maneira como nos posicionamos diante dos desafios da vida, a maneira como rezamos ou participamos das celebrações em nossas comunidades eclesiais, a maneira como reagimos diante da política, da pobreza, da violência, das injustiças sociais, da corrupção. Por isso, precisamos reconhecer que muitas vezes o Jesus em quem dizemos ter fé, pouco ou nada tem a ver com o Jesus bíblico, o Jesus dos Evangelhos; podendo ser um Jesus conforme o meu gosto, os meus interesses.
Pode acontecer que por trás de nossas imagens de Deus está em jogo a aceitação ou não de Deus por outras pessoas. Deus se faz dependente de nós, da forma como o apresentamos. Frequentemente o que não se aceita não é “o próprio Deus”, mas as representações e as imagens que dele fazemos. O Concílio Vaticano II reconhece também que o ateísmo ou a descrença de muitos é consequencia das imagens distorcidas de Deus que lhes oferecemos.
Pedro diante da pergunta de Jesus respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo”. Fez a sua profissão de fé que o encarregará de uma missão: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja...”. Ninguém será missionário, testemunha de Jesus Cristo, se antes não fizer a experiência de ser discípulo dele, de se deixar encontrar por Ele: “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” (Documento de Aparecida, nº 243).
E esse mesmo documento nos diz onde podemos encontrar Jesus Cristo: na fé recebida e vivida na Igreja; na Sagrada Escritura; na Sagrada Liturgia e de modo privilegiado na Eucaristia; no Sacramento da Reconciliação; na oração pessoal e comunitária; na comunidade viva na fé e no amor fraterno; nos pobres, aflitos e enfermos; na piedade popular e, de modo especial, em Maria (nº 246-267).
Professemos a fé em Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo, para que sejamos suas testemunhas e um Igreja viva. Neste dia agradeçamos ao Deus Trindade a vocação, a vida, a missão de todas as catequistas que, na autoridade do Batismo, ajudam crianças, jovens e adultos na experiência da iniciação à vida cristã; e também no auxílio às novas gerações no confronto com as perguntas necessárias para o seu crescimento humano e cristão.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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