ANO: 25 | Nº: 6335

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
29/08/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Por trás do homem-aranha

Dos heróis das histórias em quadrinhos o que mais gosto é o homem-aranha. Sim, ele é o mais humano de todos. Peter Parker é um adolescente típico, tem problemas com sua autoimagem, conflitos familiares, dificuldades com as meninas, dilemas éticos e pessoais. Esta atmosfera plausível e tão comum lhe garante profundidade psicológica convivendo harmonicamente com as aventuras inacreditáveis de combate ao crime, este encarnado em vilões mirabolantes.
Mas não é por este motivo que ele me encanta, nem pelo fato de ter virado herói por acidente, foi picado por uma aranha que sofreu mutação genética em contato acidental com radioatividade. Nem tampouco por ter adquirido poderes interessantes como uma agilidade física incrível e um sexto sentido que lhe avisa de perigos iminentes.
O que me envolve nesta história é que Peter é órfão de pai e mãe e foi criado por um casal de tios idosos que lhe educaram com amor, exemplo de trabalho, valores e simplicidade. As interações domésticas de Peter Parker e seus tios são recheadas de cenas de amor familiar. Mesmo sem saber dos poderes fantásticos adquiridos pelo sobrinho, o tio lhe dá, num momento que se tornaria marcantemente trágico, o melhor conselho de todos: grandes poderes vêm com grandes responsabilidades.
Tio Ben sabia das coisas. A sabedoria deste personagem pode ser explorada e fazer refletir. Assim como não há moeda de uma só face, não existe pessoa que não tenha deveres, responsabilidades ou algo a doar à sociedade em retribuição ao simples fato de existir e poder desfrutar de seus talentos.
A primeira história foi publicada em 1962 e segue extremamente atual. Quantos homens-aranha vemos por aí sem os sábios conselhos de seu tio?
Quantos Peter's Parker's esbanjando talento sem compromisso, sem precisar dar uma migalha de contrapartida ao mundo, apenas se servindo e nada retribuindo?
O menino por trás do personagem, como todos os jovens, não aproveitou este conselho no momento em que o recebeu, só foi fazer sentido depois da morte de seu tio. O surgimento da maturidade emocional forjado na dor da perda levando sentido à existência e proporcionando motivação para valorizar seus talentos com responsabilidade. Homem-aranha diverte e faz rir, mas explorando seu lado humano faz pensar e pode inspirar. Tio Ben era um educador!

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