ANO: 24 | Nº: 8084
05/09/2017 Campo e Negócios

Expointer fecha 40ª edição com ênfase na troca de conhecimentos

Os encontros entre representantes de vários segmentos da cadeia do agronegócio para elaboração de estratégias, busca de soluções para problemas comuns a produtores rurais de todo o Mercosul e cobrança de medidas políticas para viabilizar o desenvolvimento do campo foram pontos destacados pelo presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, na coletiva de imprensa de balanço da 40ª Expointer, na Farsul. De acordo com o dirigente, mais do que números de comercialização, o aprendizado e as trocas de experiências trazidas na edição deste ano foram fatores que enriqueceram os participantes desta edição, que comemorou, ainda, os 90 anos de fundação da Farsul.
“Acredito que saímos da feira vencedores com os investimentos e as ações desenvolvidas na Expointer, afinal todos saímos daqui sabendo muito mais do que sabíamos quando entramos”, afirmou Sperotto, ao citar as diversas ações realizadas na feira. O presidente destacou as reuniões com políticos e representantes de federações de outros Estados e do Mercosul. Um dos encontros já resultou em ações concretas: durante visita do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, a Farsul questionou as informações do zoneamento agrícola de risco climático das lavouras de soja no Rio Grande do Sul, que apresentava incompatibilidade com as práticas agronômicas recomendadas para a realidade do Estado. Como resultado da solicitação de mudança, foi publicada uma nova portaria, de número 197, no dia 1º de setembro, que atendeu às recomendações da Farsul.
O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, relatou o conteúdo das reuniões com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e com o grupo FARM (Federação de Associações Rurais do Mercosul), que trataram sobre bovinocultura de corte. Entre os assuntos abordados, está a importância da introdução de raças britânicas no rebanho zebuíno do restante do Brasil, já que essas conferem maciez à carne, um dos principais indicadores de qualidade, elevando, assim, o valor percebido pelo mercado internacional da carne brasileira. “O Brasil exporta para mais de 170 países e ainda tem dificuldades de entrar no mercado de carne gourmet. A solução para atingirmos o mercado gourmet no mundo é levar as raças britânicas para termos meio sangue de qualidade”, afirmou, ao lembrar que o Rio Grande do Sul tem um papel importante neste plano, por constituir o principal reduto de raças britânicas no País.
Pereira comentou ainda o encontro com o grupo FARM, em que foram discutidas as negociações para o fechamento do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, e a proposta de elevação da cota de exportação de bovinos para o continente europeu. O grupo teve, ainda, a oportunidade de conhecer em detalhes a proposta do Brasil para a retirada da vacinação contra a febre aftosa. Nos encontros com federações do Brasil e do Mercosul foram abordadas formas de ampliar a participação do Brasil em eventos internacionais e buscar novos acordos para a comercialização de produtos como carne e leite em mercados como a China e o México.
A Farsul também promoveu discussões sobre logística, com ênfase em ferrovias e hidrovias, com a busca de soluções para equacionar a navegabilidade da Lagoa dos Patos, pontos que estão em sintonia com o objetivo de ampliar mercado para os produtos do Mercosul a preços competitivos. O assunto da qualidade da carne também foi levado das mesas de discussão para o grande público da feira: a vitrine da carne. Ação que completa 10 anos, consiste em oficinas para mostrar como preparar cortes de forma a valorizar a carne de suínos, ovinos e bovinos. Pela vitrine da carne neste ano passaram mais de 3.600 pessoas, que acompanharam 31 oficinas e a preparação de 1.300 kg de carne. A vitrine da carne fez parte do espaço do Salão do Empreendedor, iniciativa da Farsul, Senar-RS e Sebrae, que promoveu a integração de sete cadeias produtivas e registrou a circulação de 76.184 pessoas, sendo 27.921 delas atendidas. O superintendente do Sebrae-RS, Derly Fialho, avalia que ações como esta são importantes para levar ao consumidor final o conhecimento sobre os produtos que são oriundos do meio rural. “Temos a preocupação que o boi criado com capricho no campo pode ser destruído na cozinha, se o consumidor não souber prepará-lo corretamente. É preciso que todos os elos da cadeia tenham conhecimento e cuidado para que o leite, a carne e os demais produtos conservem a qualidade do campo ao prato", disse.
Sobre as comercializações dentro da feira, as vendas de animais superaram os R$ 10,5 milhões. Segundo o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, o resultado, apesar de mais baixo do que o do ano passado, ficou dentro do esperado, já que houve uma queda no preço da carne desde a Operação Carne Fraca. Ele acredita que os investimentos, neste ano, foram feitos de forma mais cautelosa. Os cavalos Crioulos puxaram as vendas da feira, com mais de R$ 7 milhões em negócios fechados. Entre os bovinos, a Feira de Novilhas e Ventres Selecionados da Farsul registrou R$ 700 mil em vendas, quase a metade do valor total de bovinos negociados na feira. A Casa Rural compareceu à feira pelo 11º ano seguido e impulsionou a promoção comercial de seis empresas parceiras das áreas de calcário, forrageiras (sementes), energia alternativa, plano de saúde, bens patrimoniais e seguro de vida resgatável. Comitivas do Mato Grosso do Sul e do Espírito Santo vieram à feira conhecer a atuação da Casa Rural, sendo que mais de mil pessoas visitaram o espaço.

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