ANO: 24 | Nº: 6011

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
05/09/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Precisamos falar sobre suicídio

Setembro é o mês dedicado à Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio. Hora de conversar sobre um assunto que ninguém gostaria de abordar. Tema que assusta, choca e, há muito tempo, é tabu, provavelmente por estar diretamente relacionado a nossa maior fragilidade, a morte, associado a algo inimaginável para maioria das pessoas, que é a morte autoinfligida.
A história registra que o suicídio já teve vários status ao longo do tempo, de recomendável em determinadas situações à prática incentivada por algumas religiões, passando pela condenação sumária, execrando a pessoa e a família do suicida, até chegar em nossos dias, onde temos uma visão mais psíquica e social do quadro. Atualmente, esta temática está voltada a desvendar e compreender o grande sofrimento que leva alguém a cogitar tal possibilidade. Ou seja, por falta total de condições em perceber ou crer em outra solução, antes de mais nada, o suicida não deseja morrer e sim parar de sofrer.
Falar sobre suicídio pode significar prevenção, tratamento, distinção marcante entre estar só ou não. O Caderno Saúde do MINUANO de ontem, 4 de setembro, aprofunda a questão. Tocar no assunto favorece a dissolução de preconceitos e combate o mais grave dos pecados em se tratando de saúde mental: subestimar seu potencial e poder destrutivo.
Falar sobre isso é trabalhar em prol da saúde, é difundir a importância da vida e o significado dos vínculos humanos, sinalizando e contribuindo para que cada um, a seu modo, descubra porque está aqui.

Alguns tópicos sobre suicídio
- Cogitar essa prática como solução não é normal. Pensar sobre isso já é motivo para buscar ajuda profissional (psicológica/psiquiátrica), que sempre é sigilosa e nunca faz julgamentos.
- Pensar em morte de modo recorrente pode ser indicador de depressão, a principal causa de suicídios no mundo todo. Depressão tem tratamentos diversos e, na maioria dos casos, tem cura ou grande alívio.
- Identificar a gravidade do problema e buscar conversar com pessoas próximas que pareçam estar passando por fase em que esse drama seja cogitado, silenciosamente, pode salvar vidas.
- Ajudar a propagar a rede de auxílio à saúde mental através da divulgação da campanha Setembro Amarelo propicia mais conhecimento e, por conseguinte, pode contribuir no equilíbrio da saúde mental e afetiva.
- Este assunto não é bobagem. Não trate o tema como “alguém que quer chamar atenção”, falta do que fazer ou fraqueza e preguiça. A dor é muito profunda na alma e incapacitante para pensamentos objetivos e mais claros sobre soluções ou perspectivas. Por isso mesmo, sempre merece atenção.

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