ANO: 25 | Nº: 6283

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
06/09/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

A barragem da Arvorezinha

Em 2005 e 2006 eu era o prefeito de Bagé. Naqueles anos, enfrentamos uma grande estiagem, praticamente não choveu dois anos seguidos. Os fatos me convenceram da necessidade de construirmos uma nova barragem para a cidade. Não é uma decisão fácil, porque envolve uma capacidade grande de captar os recursos necessários e, depois, um envolvimento diário para fazer a obra sair do papel. Mas após a estiagem que tantos problemas trouxe à cidade, estava convencido que essa era a única solução que poderia resolver esse problema estrutural em Bagé.
Procurei meu amigo Tarso Genro, que era ministro do governo Lula na época, e expus o problema, deixando claro que não tínhamos projeto nem dinheiro. Tarso me acompanhou, então, até o ministro Ciro Gomes (que time tinha o Lula!), que era, na ocasião, ministro do Interior. Ciro já conhecia o problema e determinou a contratação de projeto e nos garantiu os recursos.
No penúltimo dia de meu governo, em 30 de dezembro de 2008, meu aniversário por sinal, recebo uma ligação telefônica do ministro Alexandre Padilha (que era ministro de Relações Institucionais) informando-me que o projeto da barragem havia sido acolhido no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o que significava a garantia da liberação do dinheiro. Vibrei! Brinquei com ele, lembro bem, dizendo que recebia a notícia como meu melhor presente de aniversário. Entreguei meu governo com projeto pronto e recursos assegurados.
Passaram-se oito anos e a barragem não foi concluída. Houve intervenção judicial, paralisaram-se as obras, as empresas que estavam construindo foram descontratadas por questões legais e até hoje o prefeito anterior não deu uma só explicação convincente do ocorrido. Assim como os bajeenses, não entendo porque a barragem não teve a necessária continuidade. Aqui, não se trata de desconfianças, mas de uma exigência de transparência, o que me parece uma coisa básica para quem governa.
Por esta falta de transparência, inclusive, o atual prefeito transformou esse assunto em uma guerra, em que o que mais importava era a versão vencedora, não a verdade. Muitos enveredaram para os ataques levianos, típicos de quem não tem maturidade, nem responsabilidade política e administrativa.
Sobrou, inclusive, para mim. Cartazes apócrifos colados nas paradas de ônibus, o aproveitamento da TV Câmara para disseminar versões inverídicas e insinuações, o uso intensivo das redes sociais para a calúnias, onde me chamaram até de ladrão. Tudo sob um comando oculto. Que dor e que indignação!
Por conta disso, estou processando vários por calúnia e difamação, mas esse é um recurso de defesa, não um ataque. Não sou daqueles que chamado de ladrão e má gestão, fico inerte esperando as pessoas esquecerem. Não! Eu não aceito isso e busco a reparação como as pessoas civilizadas o fazem, através da justiça.
Volto a esse assunto porque o que estou percebendo é que o novo governo quer aproveitar a confusão criada em torno das versões para desistir do projeto da barragem. Se o fizerem, entrarão para a história da cidade como incompetentes e irresponsáveis. Ou então, devem comprovar o que espalharam como verdade, de que o orçamento liberado para a barragem foi desviado em algum lugar. Está lançado o desafio.

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