ANO: 23 | Nº: 5787

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
09/09/2017 Airton Gusmão (Opinião)

A correção fraterna

“Não fecheis o coração, ouvi hoje, a voz de Deus! ” (Sl 94)
A Liturgia da Palavra deste domingo nos convida a uma reflexão sobre a importância da correção fraterna. Num mundo em que cresce o individualismo, a indiferença, o isolamento, somos convidados, enquanto cristãos, a uma outra atitude, isto é, a recuperar e valorizar a vida em comunidade. Para nós cristãos, a melhor forma de experimentar a presença de Jesus é a comunidade que, decididamente, procura segui-Lo. De fato, o relacionar-se com o outro nem sempre é fácil. Esta experiência, essencialmente humana, apresenta muitos desafios, conflitos, entretanto, é nessa escola que amadurecemos, que desenvolvemos nossas capacidades, afinal, ninguém cresce sozinho, somos seres de relação.
O cuidado com as nossas relações exige a maturidade de saber tratar as feridas que surgem a partir dos erros e limites dos outros. Sem dúvida, uma das maiores dificuldades da vida em comunidade é a prática da correção fraterna. Jesus sempre buscou favorecer e valorizar a vida em comunidade e por isso orientou sobre o procedimento correto em relação a alguém que erra.
Antes de tudo, o irmão que erra deve ser corrigido com caridade. Nunca se deve expor a pessoa, mas ajudá-la a perceber o erro que cometeu. Outro ponto importante, é sempre falar a verdade, chamando-a a uma conversão sincera. Quantas vezes, nas comunidades, isso não acontece. Preferimos o caminho da fofoca, da calúnia, da intriga. Quando dizemos a verdade ao outro com caridade e humildade, mais facilmente ele reconhecerá o seu erro. Não julguemos uns aos outros como se fôssemos doutores ou anjos, mas pratiquemos com amor, na verdade e com humildade esse gesto que nos torna maduros na fé. Ainda que o irmão não ouça a exortação da comunidade, recorramos a oração como caminho de conversão, mas nunca a fofoca e a intriga. Como nos ensina o Papa Francisco, nunca devemos esquecer que somos todos pecadores e que Deus sempre nos concede a sua misericórdia.
Por fim, no final do Evangelho, Jesus ressalta que a comunidade que se reúne no seu nome, praticando a correção fraterna, a afetividade, a solidariedade, o diálogo tem a garantia da sua presença. “Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. (Mt 18,20). Assim, estar reunido no nome do Senhor é apostar no reino que Ele anunciou, é não fechar o coração a voz de Deus que nunca deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida em abundância.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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