ANO: 23 | Nº: 5791

Fernando Risch

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Escritor
09/09/2017 Fernando Risch (Opinião)

O acesso à saúde não deveria ser um balcão de mercado

O título da notícia na BBC era “EUA aprovam primeira terapia contra câncer que reestrutura sistema imunológico do paciente”, o subtítulo era “O custo do tratamento, no entanto, pode ser um obstáculo para muitos pacientes”. Claro, tudo tem um custo.

De todos os direitos existentes, de todos aqueles que poderiam ser de acesso universal, a saúde deveria ser o número um. Quer dizer: qualquer ser humano, de qualquer classe social, que necessitasse de um tratamento específico, deveria ter acesso a esse tratamento gratuitamente e imediatamente. De tudo que existe no mundo, a saúde é a única coisa que jamais deveria ter um preço no mercado. Saúde está acima da educação, muito acima. É melhor ser um néscio saudável do que um gênio moribundo.

Esse novo tratamento contra um tipo específico de câncer, que deixa 83% das pessoas tratadas curadas, custa 475 mil dólares, ou 1,5 milhão de reais, cobrados pelo grupo farmacêutico Novartis. Ou seja, você que está lendo, se um dia vir a precisar – o que eu espero que não –, provavelmente não terá acesso. E quem terá? Uma pequena parcela privilegiada.

E entende-se que o custo elevado de um remédio origina-se da pesquisa, não do princípio ativo ou do processo; pesquisas que, em grande parte, são realizadas no mundo acadêmico e financiadas por fundos governamentais. Ainda assim, é inadmissível que a vida de qualquer pessoa tenha um preço a ser pago. E não estou falando em utopia, num mundo perfeito, apenas avaliando os princípios que fazem esse mesmo mundo girar.

A verdade é que a saúde não deveria ser uma mercadoria, deveria ser universal. Se existisse uma pílula que curasse qualquer câncer, ela, certamente, custaria uma imensa fortuna, mesmo que fosse feita de água com farinha. Quem pudesse pagar, que pagasse; os outros que gastassem o que têm e o que não têm com outros tratamentos igualmente caros e menos eficazes. Ou morrem e viram mercadoria para uma funerária. Infelizmente, a vida de cada um de nós tem um preço, e como diria George Orwell em A Revolução dos Bichos: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”.

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