ANO: 23 | Nº: 5741

Dilce Helena dos Santos

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Psicóloga
12/09/2017 Dilce Helena dos Santos (Opinião)

Elogios tóxicos

Existem formas de elogiar que são altamente nocivas às mentes e personalidades em formação. Não apenas por não serem totalmente sinceros, mas principalmente por serem baratos, ordinários e não brotarem de fonte genuína de admiração.
Tenho visto crianças viciadas em elogios. Movidas ao verdadeiro desbunde de seus pais e demais adultos com quem convivem. Qual o efeito desse excesso de bajulação além de vaidade e futilidade? Vejamos alguns:
- Promove a confusão entre feed back e necessidade de agradar.
- Gera pessoas com dificuldades em lidar com críticas.
- Amplia uma limitação, o desejo de apenas acertar. Impondo o acerto limitamos o desenvolver-se que vem através do erro e compreensão de nossos limites.
- Cria pessoas com o hábito de estar em evidência, não conseguindo apenas coexistir em momentos corriqueiros da vida. São aqueles coleguinhas que todo mundo já teve e odiou, que sempre querem ganhar tudo, pensam ser os mais bonitos, mais isso, mais aquilo, mais tudo, são aborrecidos, companhias que serão evitadas.
- Incentiva a ilusão de que o mundo é um palco e somente ele é o ator principal, sempre com o holofote em si. Se a luz falhar ou tomar a direção de outro, surta, paralisa, não reconhece o mundo se não estiver no centro.
- Produzir parasitas sociais que acreditam não ser necessário esforço, apenas os outros precisam doar-se, dedicarem-se, essas coisas não são para si. O ser que cresceu sendo bajulado independente de seu esforço não entende por que deva fazê-lo, afinal, perdeu muitas janelas de oportunidades para elaborar este aprendizado.
Pais, mães, educadores em geral concentrem-se mais nas atitudes que no seu resultado, premiem mais o esforço que a qualidade em si. Elogiem, sim, mas tomem cuidado para que esta poderosa ferramenta de promoção de autoestima e incentivo não se torne uma mentira. Elogiem quando for sincero e significativo o aprendizado e o esforço. Assim as crianças sentirão não o prazer fugaz de agradar aos outros, mas sim a satisfação de estarem se tornando alguém melhor.

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