ANO: 23 | Nº: 5741

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
13/09/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Professores: uma greve justa

Na terça-feira (12), cerca de quatro mil professores aglomeraram-se em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre, para pressionar o governador a abrir negociação com a categoria, que está em greve há pouco mais de uma semana. Conforme o Cpers Sindicato, a greve é uma luta pelo pagamento integral dos salários e do 13º atrasado, além de ser, também, um protesto contra o arrocho salarial que os professores estaduais sofrem desde o início do governo Sartori.
A greve dos professores é sempre uma medida extrema. Adotá-la repercute sobre as famílias, sobre as comunidades e, principalmente, sobre os estudantes, que precisam de estabilidade para ampliar seus conhecimentos e garantir condições de competitividade em uma realidade social cada vez mais excludente.
Mas quando conhecemos a situação em que se encontram os professores gaúchos, concluímos logo que se trata de um movimento reivindicatório absolutamente justo. Segundo estudos do DIEESE, o governo Sartori não concedeu qualquer reajuste para os professores, o que significa uma perda real de salário, em apenas dois anos, de 16,62%. Isso numa realidade em que os professores haviam sido valorizados no governo anterior, tendo tido um ganho salarial real de 50%.
Para se ter uma ideia, com os reajustes concedidos por Tarso no governo anterior, o piso estadual chegou a valer 74,2% do piso nacional. Hoje, o salário pago aos professores gaúchos significa apenas 54,8% do piso nacional. Segundo o Cpers, uma defasagem que cresceu na ordem de 46%. Quer dizer, hoje os salários dos professores valem apenas a metade do que valia no governo de Tarso, comparativamente à remuneração nacional.
Isso em um momento que, por conta dos cortes no orçamento da educação, que chegam a R$ 400 milhões, o governo fechou 2.256 turmas em várias escolas da rede, concentrando alunos e, com isso, agregando dificuldades para o trabalho pedagógico, o que, obviamente, aumenta, mesmo que indiretamente, a dedicação necessária dos professores à sala de aula.
Não bastasse tudo isso, o governador insiste em humilhar a categoria com pagamentos parcelados que chegaram ao seu ápice no início deste mês, quando, por vontade e por estratégia, Sartori depositou apenas R$ 350 na conta dos servidores. É evidente, assim, que a única resposta possível é a paralisação do trabalho. Um governador que não paga salário porque não prioriza o trabalho de seus servidores não merece respeito.
Com sua greve, os professores podem exercer um papel pedagógico junto à sociedade gaúcha. Está evidente, e isso fica claro se analisarmos a realidade das escolas gaúchas, que Sartori está levando o Rio Grande a um caminho trágico e é evidente, também, que só a luta pode impedir que essa tragédia se imponha de forma irreversível. Por isso, todo o apoio à greve dos professores!

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