ANO: 25 | Nº: 6283

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
16/09/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Perdoados para perdoar

Todos nós constantemente podemos nos deixar levar pelos sentimentos e atitudes de ódio, rancor, desejo de vingança, ressentimentos, maledicência, desprezo para com os Mandamentos de Deus e desrespeito para com o nosso semelhante. Esse clima está presente em nossas relações pessoais, sociais, familiares e, sobretudo, no campo da política e do poder econômico que, cotidianamente, propagandeados pelos meios de comunicação social, alimentam esta realidade de animosidade e mercantilização das relações em geral.
Humanamente falando somos candidatos ao cultivo do desejo de vingança e de não perdoar, e até queremos condicionar a experiência do perdão e da misericórdia de Deus a partir dos nossos instintos e compreensão do que é ser humano e cristão. Pedro teve esta tentação de querer limitar o perdão de Deus seguindo unicamente os valores e padrões de uma época, de um contexto, de uma visão unicamente legalista, quando pergunta a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” (Mt 18,21-35).
Jesus nos ensina com sua palavra e testemunho o que é a misericórdia e o perdão do Pai quando diz e nos convida a praticar a novidade do Reino: amar até os inimigos; na oração do Pai Nosso, perdoai como perdoamos; bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia; se estiveres diante do altar, vá antes te reconciliar; na parábola do pai misericordioso que perdoa com alegria e na cruz quando diz: Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem.
Ainda lembramos com muita esperança e alegria o Ano da Misericórdia, onde o Papa Francisco nos dizia: “Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os verdadeiros filhos; pois somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada de misericórdia para conosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós, cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir” (O Rosto da Misericórdia, nº 09).
O Salmo deste 24º domingo do Tempo Comum fala do coração e do agir de Deus: “O Senhor te perdoa toda culpa e cura toda a tua enfermidade; não guarda eternamente o seu rancor; não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas” (Sl 102).
Somente o perdão, ato divino que somos chamados a praticar, pode por fim à violência. Como cristãos, nossa atitude diante das ofensas sofridas é perdoar sempre, pois não há ofensa maior do que aquela realizada por nós a Deus: a morte do Herdeiro amado. Mas o Pai transformou essa ofensa em perdão e salvação.
É importante termos presente que perdoar sempre não quer dizer passividade ou omissão diante do erro e da injustiça, mas sim não guardar mágoa ou rancor, tampouco sentimentos de vingança. Por isso, Jesus responde a Pedro dizendo: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, e nos convida a perdoar sempre de coração o nosso irmão.
Temos humildade para pedir perdão? Demonstramos alegria e gratidão diante de um perdão recebido? Somos generosos em oferecer o nosso perdão? Colocamos limites para perdoar? Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Não esqueçamos que no domingo, dia 24 deste mês, teremos a 43ª Romaria de Nossa Senhora Conquistadora, com o Tema: Com Maria anunciamos a alegria do Evangelho. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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