ANO: 25 | Nº: 6357

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
20/09/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

As façanhas de todos nós

O 20 de setembro é cultuado pelos gaúchos e pelas gaúchas como uma data para comemorar os nossos feitos. “Sirvam nossas façanhas de modelo à toda a terra”, diz o nosso hino. Independente da análise do significado histórico de nossa revolução, que, como se sabe, é controverso, trata-se de uma data que tem, realmente, um significado importante. Pelo menos para que façamos uma análise criteriosa do ponto em que estamos e para onde queremos ir.
O levante rio-grandense, independentemente de sua natureza específica, revelou uma disposição para a rebeldia, sem a qual os interesses, mesmo que fossem apenas os da elite regional, não seriam ouvidos e respeitados na Corte. E a disposição para a rebeldia, quando os nossos interesses não estão sendo reconhecidos e considerados é um valor importante, que, realmente, precisamos cultuar.
É esse valor, por exemplo, que dá legitimidade à luta dos trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul, que já se encontram em greve há quase um mês, mas ainda não obtiveram o reconhecimento de seus interesses, que, aliás, mais do que interesses deveriam ser entendidos como necessidades, já que, no caso específico, trata-se de receber pelo trabalho realizado e ter condições de garantir necessidades básicas de uma família.
Já o valor da honra, outro que é idealizado como característica fundamental daquela revolução, este, infelizmente, não conseguimos identificar em nossos atuais governantes. Não falo aqui apenas do Temer, que nada tem a ver com nossa tradição e já está por demais conhecido como uma pessoa desprovida deste valor. Falo do Sartori, este sim, membro de nossa comunidade cultural.
Sartori, com seu comportamento movediço e dissimulado, é o oposto do gaúcho idealizado. Ao ampliar de forma deliberada o tamanho da crise, deixando milhares de funcionários públicos com salários parcelados, criou um ambiente tão pra baixo no Rio Grande do Sul que ninguém mais luta por reajuste ou aumento, apenas para que o seu salário seja pago em dia. Tudo para justificar determinadas ações programáticas, como a venda de estatais, que, entretanto, ele não sustentou quando foi candidato.
Vejam, portanto, que não é apenas um comportamento falso, mas também ilegítimo. Elegeu-se sem dizer o que pretendia para, então, como governador, abrir sua maleta de maldades contra a sociedade gaúcha. Sim, ou não são verdadeiras maldades cortar recursos da educação, da saúde e aplicar uma política de segurança do “cobertor curto”, que aumenta o número de policiais na capital em detrimento do interior, gerando crescimento vertiginoso dos indicadores de violência em cidades como Bagé, Pelotas, Rio Grande e outras tantas da região metropolitana e do interior.
Por isso, este dia 20 de setembro deve ser usado para um elogio às façanhas cotidianas do povo gaúcho, que sofre sem saúde e educação de qualidade, que sofre com salários parcelados, o que significa, também, prestações em atraso, contas não pagas, diminuição do dinheiro que gira nas cidades. Um povo que sofre tudo isso, mas não desiste, não desanima e ainda se dispõe a lutar, relembrando para nós todos, que a façanha mais importante que a revolução nos deixou de legado é não aceitarmos a injustiça e o desdém e nem governantes como Sartori.

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