ANO: 24 | Nº: 6185
22/09/2017 Editorial

Novo marco de controle

A inclusão dos recursos naturais na contabilidade deve deixar o plano da teoria. Por meio de uma lei aprovada pelo Senado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo do produto interno bruto (PIB), deverá divulgar, também, o "PIB Verde". A apuração considera, basicamente, o patrimônio ecológico nacional. A metodologia ainda será discutida com a sociedade. É importante atentar, porém, para o avanço que a medida já representa.
Com base no projeto de autoria do deputado Otávio Leite, do PSDB do Rio de Janeiro, que só depende de sanção presidencial, o cálculo do PIB Verde deverá levar em consideração iniciativas nacionais e internacionais semelhantes, em especial, o Índice de Riqueza Inclusiva (IRI), elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O parlamentar tucano argumenta que o "objetivo é assegurar futura convergência com índices adotados em outros países", para permitir comparações. A mudança é estratégica.
O PIB Verde cria uma lógica diferente, consagrando a visão de a gestão dos recursos naturais influencia no processo de desenvolvimento. A ligação, aliás, é intrínseca, já consagrada, por exemplo, por pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), que elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. Esse é um tema central para o Brasil, que tem potencial para se tornar uma potência global neste terreno, por representar um marco no sentido do controle.

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