ANO: 26 | Nº: 6576

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
23/09/2017 Airton Gusmão (Opinião)

De romaria em romaria

“Com Maria anunciamos a Alegria do Evangelho”. Este é o tema da 43ª Romaria de Nossa Senhora Conquistadora, que acontecerá neste dia 24 de setembro, em Bagé; no contexto do jubileu dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Estar a caminho é a condição real do ser humano. Faz parte da essência da fé cristã o caráter provisório e inacabado da existência na terra. O peregrino sabe que a caminhada é, antes de tudo, uma realidade interior que tende ao absoluto. Na caminhada exterior o ser humano quer encontrar a si mesmo.
E, como cristãos, peregrinamos a muitos santuários como lugar do encontro do ser humano com o mistério. Eles são espaços sagrados que permitem resgatar o diálogo salvífico entre Deus e as pessoas. São prontos-socorros espirituais que nos ajudam a encontrar razões para viver em meio às vicissitudes da vida e a nortear a busca de sentido para a existência humana.
Sobre a importância dos santuários nos diz o papa Francisco: “Neles se pode observar como Maria reúne ao seu redor os filhos que, com grandes sacrifícios, vêm peregrinos para vê-la e deixar-se olhar por ela. Lá encontram a força de Deus para suportar os sofrimentos e as fadigas da vida” (Evangelho da Alegria, nº 286).
O texto base das romarias das três dioceses da província eclesiástica de Pelotas, deste ano, nos diz: “Celebrar Romarias em honra da Virgem Santíssima significa colocar-se dentro da Escola de Maria. Ela é a Mãe que deseja educar os seus filhos e filhas na ‘arte’ do amor oblativo, amor aberto ao próximo, amor generoso e pleno”.
O então papa Bento XVI, na abertura da Conferência de Aparecida, em maio de 2007, assim se manifestava sobre Maria: “Permaneçam na Escola de Maria. Inspirem-se em seus ensinamentos. Procurem acolher e guardar dentro do coração as luzes que ela, por mandato divino, envia a vocês a partir do alto”.
A atitude acolhedora da Mãe a torna casa de vivência da Graça salvadora, trazida por Jesus Cristo e em escola de comunhão aberta ao mundo e a toda a humanidade. Assim Maria não deixa que a Igreja Povo se sinta órfão de mãe e de casa para morar.
Contemplando a Palavra de Deus no Magnificat (Lc 1,46-56), percebemos como esta Palavra se encontra de verdade em sua casa, de onde sai e entra com naturalidade. Maria fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus.
Ainda do texto base das romarias lemos o seguinte: “A Romaria é, portanto, um momento forte e privilegiado de vida eclesial. Mas não pode ser um momento estanque na nossa vida cristã. Assim como nos dirigimos a todos, como romeiros, na direção de nossos santuários, devemos de lá sair, na direção de nossas comunidades eclesiais para continuar a missão. Maria caminha conosco. Que o grande milagre de nossas Romarias seja exatamente isso: sermos, também, nós, missionários, com verdadeira alegria e entusiasmo”.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Neste Dia da Bíblia, glorifiquemos a Cristo, Palavra de Deus encarnada, consagrando-lhe todo nosso viver e missão. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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