ANO: 25 | Nº: 6378
23/09/2017 Segurança

Policial militar bajeense é condenado por homicídio de integrante do MST

Foto: Divulgação

Élton Brum da Silva morreu em 2009
Élton Brum da Silva morreu em 2009

O policial militar Alexandre Curto dos Santos foi condenado há 12 anos de reclusão, em regime fechado, pelo homicídio qualificado do sem-terra Elton Brum da Silva. O crime ocorreu em 2009, durante ação de reintegração de posse da Fazenda Southall, em São Gabriel. O réu, que teve prisão decretada, também foi condenado a perda do cargo.
O júri popular aconteceu na 1ª Vara do Júri da Comarca de Porto Alegre e teve início às 9h30min de quinta-feira, no 5º andar do Foro Central I, sendo presidido pelo juiz Orlando Faccini Neto. A família de Elton (a filha, a viúva e o pai) e alguns militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acompanharam o julgamento. Outros integrantes do MST fizeram vigília e intervenções pacíficas nas ruas próximas para denunciar à população os assassinatos ocorridos na luta pela terra.
O júri popular foi composto por sete jurados escolhidos por sorteio. Eles acompanharam os depoimentos, a apresentação das provas e os debates. Após, votaram pela condenação.
Foram ouvidas duas testemunhas de acusação e duas de defesa. O réu, que à época atuava no Pelotão de Operações Especiais do 6° Regimento de Polícia Montada (RPMon), no município de Bagé, alegou que atirou porque viu a vítima segurando a rédea do cavalo de um policial. Ele disse que por causa da fumaça via somente um vulto e então atirou.
Élton Brum da Silva foi alvejado por tiros durante a reintegração da Fazenda Southall. Haviam cerca de 500 famílias do MST no local durante a operação, que deixou várias pessoas feridas.
O homicídio, segundo a sentença de pronúncia, ocorreu quando o réu atirou de espingarda pelas costas contra a vítima. Durante o processo, Curto assumiu ter sido o autor do disparo.
O comando da Brigada Militar teria recomendado aos policiais prudência e o uso de munição não letal. O policial alegou ter agido em legítima defesa e ter trocado acidentalmente sua arma com a de um colega, que possuía a munição letal.
No ano passado, o estado do Rio Grande do Sul foi condenado a indenizar a família de Brum, por danos morais, e com uma pensão de um salário mínimo regional à filha até a sua maioridade. Porém, passados mais de oito anos do fato, a mãe, a filha e o pai da vítima ainda aguardam o pagamento por precatório.

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